Você está com um projeto de uma história em quadrinhos na cabeça e não sabe por onde começar? Pois antes de imaginar que ele terá 500 mil páginas ou precisará ser publicado em 200 edições, é preciso começar pelo começo.

Por mais longo que seja, um caminho sempre começa com um primeiro passo, e aqui vão alguns que poderão ajudar a organizar suas idéias e, finalmente, ter um material ORGANIZADO e apresentável para mostrar para um editor:

Sinopse, sinopse, sinopse!

Comece com uma sinopse, ou seja, resumindo sua história com clareza em algumas poucas linhas. Esse item é crucial no primeiro momento, em que o projeto será mostrado para um editor ou parceiro de produção (desenhista, colorista, arte-finalista, etc.), e esta pessoa tiver apenas 5 minutos para avaliar se aquele projeto lhe interessa ou não.

Ninguém tem tempo de ler 20 páginas roteirizadas até finalmente entender do que a tal história se trata, então, mostre-a da maneira mais objetiva e sintética possível se quiser que o seu projeto tenha uma chance entre tantos outros.

Além disso, se não puder explicar o enredo de sua história em algumas poucas linhas, é sinal de que o mesmo não está claro o suficiente nem para você.

 

Roteiro

Desenvolva a sinopse num roteiro mais detalhado, de algumas páginas. Mostre-a para amigos ou outros profissionais de confiança (que saberão respeitar o carácter secreto do projeto), pessoas que poderão lançar um olhar crítico e apontar problemas no desenrolar da história que, muito frequentemente, passam desapercebidos ao autor. Só depois passe à versão decupada que será passada para o desenhista.

Formato

Em seguida, procure determinar em quantas páginas a história será contada. Quais são os formatos comerciais de HQ que existem no mercado? Em qual deles sua história se encaixaria melhor?

Se as gráficas e editoras trabalham com publicações de 48 páginas, por exemplo, por questões tecnicamente mais vantajosas, encaixar o seu roteiro numa narrativa de 48 páginas pode ser mais um ponto a favor, um passo para viabilizar a sua publicação.

Planejamento

Faça uma apresentação do projeto descrevendo sua intenção, público-alvo (faixa etária, público em geral, público escolar, etc.) e maneira como será produzido (se houver uma equipe, quem vai fazer o quê exatamente), como será financiado (recursos próprios, LIC, FUMPROARTE, concursos…), se está procurando editora, distribuidora, etc.

Todos esses pontos serão úteis na hora de defender o seu projeto num concurso por verbas, ou diante de um editor, e você estabelecerá com clareza as suas intenções de público, planejamento de produção e também financeiro.

Pesquisa e documentação

Sua história se passa em outra época? Ou é contemporânea mesmo? No Brasil ou em outro país, outro planeta? Seja como for, um bom estudo de referências visuais tais como roupas, cenários, arquitetura, veículos, etc. da época em questão é indispensável para deixar a sua história convincente, ‘puxar’ o leitor para dentro da narrativa.

Assim, dedique um tempo a se familiarizar com o contexto histórico ou geográfico em que sua história se passa, procure saber como era a vida, como eram as pessoas nesse contexto e use isso para reforçar a sua narrativa, torná-la instigante, informativa, dar-lhe a riqueza visual necessária para realmente fazer o leitor sentir-se ‘dentro’ da narrativa.

Se cabe ao roteirista entender bem a época em que sua história se passa, o desenhista tem que se familiarizar com a iconografia do contexto. Saber como desenhar as roupas que se usavam, saber como eram as ruas da cidade em tal ou tal época, como era o corte de cabelo que as pessoas mais usavam, como eram os carros, como eram os móveis. Inclua croquis de estudos na pasta do seu projeto, isso sempre reforçará a sua preocupação com o embasamento dele ao olhos de um editor, seja histórico ou não.

Personagens

A tarefa do roteirista é escrever um personagem cativante, e a do desenhista é, naturalmente, desenhá-lo. Nessas duas frentes, é necessário que haja um bom entendimento entre os dois profissionais a fim de criar personagens fortes, interessantes, carismáticos.

Busque o conceito claro de cada personagem, e procure dar a cada um sua fisionomia própria, seus traços inconfundíveis. A personalidade estabelecida pelo roteirista deve transparecer na aparência física do personagem, onde entra também a parte da indumentária vista no item da documentação. Em suma, dar-lhe uma leitura clara afim de que o leitor possa identificá-lo, lembrar-se dele, sentir-se interessado por ele.

E nada de desenhar sempre o mesmo rosto e só mudar o corte de cabelo!

Páginas

As 4 ou 5 primeiras páginas da história em quadrinhos são fundamentais para dar um ‘preview’ para o editor (e para o autor também) de como será o projeto inteiro. Nelas já se pode avaliar com objetividade alguns pontos importantes, como…

  • se o desenho está no nível desejado, tanto em estilo quanto em técnica;
  • se a narrativa visual, tanto entre os quadros quanto entre as páginas, é eficiente, clara, e funciona sem confundir o leitor;
  • se há textos demais, e se estão revisados, ou se o registro (coloquial, formal, etc.) em que estão escritos está adequado à história;
  • se a colorização está adequada ao projeto, valorizando o desenho e dando mais clareza à narrativa;
  • se o letreiramento usado (a fonte, ou de próprio punho, etc.) é o melhor.

Em suma…

…dê o chute inicial no seu projeto, e faça-o com seriedade. O importante é realmente debruçar-se sobre todas essas questões, colocar a ‘mão na massa’ e ter algo realizado do que ficar sonhando com histórias épicas que nunca saem da sua gaveta. É importante ser humilde, saber receber críticas e com elas melhorar o seu trabalho. Somente este último nos faz desenvolver nossas capacidades.

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