Criar personagens não é uma tarefa unicamente literária, mas também visual, ainda mais quando se trabalha com histórias em quadrinhos. E num meio que exige um ritmo de produção acelerado, um dos desafios que muitos autores e autoras tem é de não repetir desenhos de caras e corpos, mas de caracterizar personagens diferentes dando-lhes caras e corpos diferentes, marcantes.

Mas como fazer isso? Quando se desenha muitas vezes a mesma coisa tendemos a fazê-lo sempre do mesmo jeito, e com figura humana não é diferente. Pessoalmente, gosto de fazer o exercício de estudar os rostos e corpos de pessoas normais, geralmente as pessoas da época que estou estudando, e traduzir as suas características para o meu traço.

Primeiramente, busco por fisionomias e portes físicos que saiam um pouco do que estou “programada” a desenhar, como no caso destes dois rapazes encontrados nas minhas pesquisas:

Depois, faço desenhos de observação deles no sketchbook. Estudo como é o cabelo, que tamanho tem a testa, se os olhos são caídos ou próximos das sobrancelhas, se o nariz é longo ou curto, etc. Nesse desenho eu vou memorizando essas características mais marcantes, e que sozinha sem olhar a referência eu dificilmente teria feito com a mesma originalidade.

[fotos dos desenhos de estudo]

Finalmente, chega a melhor hora: é quando me aproprio das características dos personagens no meu traço, desenhando-os de memória em diversas expressões faciais e poses:

Em outras palavras, vou convertendo aquele desenho inicial de estudo ao meu estilo, o que me ajuda a descobrir novas maneiras de simplificar as formas, de conferir ao meu grafismo algo de marcante, dinâmico. Além disso, vou ampliando minha “biblioteca” de características diferentes para diferentes personagens, e evito, ao menos por um tempo, desenhar sempre as mesmas caras e bocas. Quando se trabalha numa história, é interessante manter esses desenhos em sketchbooks ou pastas para olhar depois quando precisar desenhar o personagem novamente. Mas estes dois são exercícios de caracterização e estilização afim de “desenferrujar” a mão, e manter o traço fluido e simples sem deixar de conseguir representar duas pessoas diferentes.

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