{"id":5953,"date":"2023-08-14T01:11:45","date_gmt":"2023-08-14T04:11:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/?p=5953"},"modified":"2023-08-14T12:17:06","modified_gmt":"2023-08-14T15:17:06","slug":"10-anos-de-blog-beco-do-rosario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/10-anos-de-blog-beco-do-rosario\/","title":{"rendered":"10 anos de blog Beco do Ros\u00e1rio!"},"content":{"rendered":"<p>Quando tive a primeira id\u00e9ia de fazer uma hist\u00f3ria em quadrinhos sobre a hist\u00f3ria de Porto Alegre<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, l\u00e1 em 2012, tamb\u00e9m veio a necessidade de voltar a estudar. Estudar e pesquisar, e pesquisar muito, pois eu ainda sabia pouco sobre a hist\u00f3ria da cidade. Esse processo apaixonante me levou ao mestrado no PROPUR-UFRGS, onde fui aos poucos \u201ccavando\u201d os acervos hist\u00f3ricos atr\u00e1s da mem\u00f3ria de uma Porto Alegre que rec\u00e9m come\u00e7ava a se modernizar.<\/p>\n<p>Esse caminho de descobertas tamb\u00e9m veio acompanhado de uma necessidade muito grande de documentar essa pesquisa e tamb\u00e9m compartilh\u00e1-la. \u00c9 desse impulso que surgiu o blog \u201cBeco do Ros\u00e1rio\u201d, que h\u00e1 exatos dez anos ganhava, hesitantemente, seu <a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/caixa-urbana-correio-do-povo-17011926\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #800000;\"><strong>primeiro post<\/strong><\/span><\/a>.&nbsp;<\/p>\n<p>A id\u00e9ia era escrever sobre tudo que eu ia encontrando e aprendendo nas imers\u00f5es que eu fazia nos acervos hist\u00f3ricos de Porto Alegre, mas s\u00f3 muito recentemente consegui sistematizar esse trabalho. Desse modo, o blog tornou-se tamb\u00e9m uma forma de catalogar e fazer uma curadoria dessa busca do quotidiano da cidade nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX para depois transform\u00e1-lo em hist\u00f3rias em quadrinhos.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica da narrativa visual eu j\u00e1 possu\u00eda, mas foi nessa caminhada que aprendi o m\u00e9todo de pesquisa cient\u00edfica em Hist\u00f3ria, que me fez tamb\u00e9m lan\u00e7ar um cont\u00ednuo olhar cr\u00edtico tanto sobre a literatura quanto as fontes que eu consultava. A mim nunca interessaram as mitologias criadas em torno do esp\u00edrito ga\u00facho, tampouco os \u201cgrandes vultos\u201d da cidade, frutos de uma historiografia tradicional e idealizadora. Como diz Aleida Assmann, \u201co esp\u00edrito de pesquisador se desenvolve \u00e0s custas de romper com a tradi\u00e7\u00e3o de passados normativos e esquec\u00ea-la\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Assim, busco as hist\u00f3rias das pessoas comuns e dos lugares desaparecidos da Porto Alegre que se transformava aceleradamente nos anos 1920 e 1930, pois acredito que contar essas hist\u00f3rias estreita os meus v\u00ednculos com a cidade, bem como os de quem as l\u00ea.<\/p>\n<p>J\u00e1 temos bastantes hist\u00f3rias sobre Nova Iorque, Paris, Berlin. Acredito que, como autora brasileira, cabe a mim contar hist\u00f3rias do meu lugar. Porto Alegre mudou muito ao longo dos \u00faltimos cem anos, e muitos n\u00e3o a v\u00eaem como uma cidade hist\u00f3rica. Ainda assim, \u00e9 cheia de hist\u00f3rias fascinantes esperando para serem recordadas, assim como tantas outras cidades brasileiras que merecem tornar-se personagens de hist\u00f3rias em quadrinhos, filmes, poemas, pe\u00e7as de teatro, literatura, etc. \u00c9 um constante remar contra a correnteza da massifica\u00e7\u00e3o dos produtos culturais e da consequente coloniza\u00e7\u00e3o dos nossos cora\u00e7\u00f5es e mentes; \u00e9 um cont\u00ednuo combate da desvaloriza\u00e7\u00e3o da nossa identidade e cultura latino-americana, e por isso mesmo \u00e9 um trabalho t\u00e3o necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Espero que o anivers\u00e1rio de dez anos desse modesto blog possa despertar outros autores e autoras do Brasil para as hist\u00f3rias de suas cidades, e que eles e elas possam sentir-se validados e encorajados a cont\u00e1-las em suas obras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias:&nbsp;<\/strong><\/h3>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a><em> Beco do Ros\u00e1rio<\/em>, lan\u00e7ado em 2020 pela editora Veneta.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Assmann, Aleida. <em>Espa\u00e7os de recorda\u00e7\u00e3o: formas e transforma\u00e7\u00f5es da mem\u00f3ria cultural<\/em>. Campinas: Editora da Unicamp, 2011, p. 337.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando tive a primeira id\u00e9ia de fazer uma hist\u00f3ria em quadrinhos sobre a hist\u00f3ria de Porto Alegre[1], l\u00e1 em 2012, tamb\u00e9m veio a necessidade de voltar a estudar. Estudar e pesquisar, e pesquisar muito, pois eu ainda sabia pouco sobre a hist\u00f3ria da cidade. 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