{"id":5625,"date":"2022-11-17T00:04:33","date_gmt":"2022-11-17T03:04:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/?p=5625"},"modified":"2022-11-17T18:12:39","modified_gmt":"2022-11-17T21:12:39","slug":"a-colonia-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/a-colonia-africana\/","title":{"rendered":"A Col\u00f4nia Africana"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 cerca de cem anos, o territ\u00f3rio negro urbano que era conhecido como Col\u00f4nia Africana come\u00e7ava a \u201csumir do mapa\u201d de Porto Alegre. De fato, se perguntarmos para algu\u00e9m que hoje transita pelas ruas Cabral, Francisco Ferrer, Miguel Tostes ou at\u00e9 mesmo Lucas de Oliveira se sabe que est\u00e1 num hist\u00f3rico territ\u00f3rio negro urbano da cidade, \u00e9 bem poss\u00edvel que nos olhasse de volta com espanto. Afinal, salvo poucos sinais ainda presentes dessa hist\u00f3ria, como os nomes de ruas<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, a par\u00f3quia da Nossa Senhora da Piedade<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, e a bica da rua Carlos Trein Filho, a mem\u00f3ria das origens negras dessa grande \u00e1rea que se estende predominantemente ao norte do Caminho do Meio<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> e a leste do centro hist\u00f3rico foi sendo apagada.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5648\" aria-describedby=\"caption-attachment-5648\" style=\"width: 870px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Paisagem-da-Colonia-Africana-Beco-do-Rosario.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5648\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Paisagem-da-Colonia-Africana-Beco-do-Rosario.jpg\" alt=\"Paisagem da Col\u00f4nia Africana na hist\u00f3ria em quadrinhos Beco do Ros\u00e1rio, 2020. Bico de pena e aquarela sobre papel.\" width=\"870\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Paisagem-da-Colonia-Africana-Beco-do-Rosario.jpg 870w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Paisagem-da-Colonia-Africana-Beco-do-Rosario-300x139.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Paisagem-da-Colonia-Africana-Beco-do-Rosario-768x357.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Paisagem-da-Colonia-Africana-Beco-do-Rosario-10x5.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Paisagem-da-Colonia-Africana-Beco-do-Rosario-432x201.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Paisagem-da-Colonia-Africana-Beco-do-Rosario-396x184.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Paisagem-da-Colonia-Africana-Beco-do-Rosario-660x306.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Paisagem-da-Colonia-Africana-Beco-do-Rosario-474x220.jpg 474w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5648\" class=\"wp-caption-text\">Paisagem da Col\u00f4nia Africana na hist\u00f3ria em quadrinhos <em>Beco do Ros\u00e1rio<\/em>, (Ed. Veneta, 2020). Em primeiro plano, a rua Esperan\u00e7a (atual Miguel Tostes). Bico de pena e aquarela sobre papel.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A Col\u00f4nia Africana em seus princ\u00edpios foi um territ\u00f3rio distante do centro, e com pouca ou nenhuma urbaniza\u00e7\u00e3o. Eram terras desvalorizadas, e que foram sendo ocupadas por ex-escravizados em torno da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura. Com a expans\u00e3o da \u00e1rea urbana, seus moradores tradicionais foram sendo cada vez mais empurrados para longe, e a Col\u00f4nia foi sendo rebatizada com nomes de bairro que em nada lembram suas origens.<\/p>\n<p>Ainda assim, se pararmos para ouvir as hist\u00f3rias dos filhos de seus antigos moradores, os memorialistas de Porto Alegre ou lermos um jornal antigo, a Col\u00f4nia Africana nunca deixou de estar l\u00e1 onde estivesse a popula\u00e7\u00e3o negra urbana com suas pr\u00e1ticas e viv\u00eancias, caracterizando aquilo que a ge\u00f3grafa Daniele Vieira define como um <em>territ\u00f3rio negro<\/em>:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">[&#8230;] territ\u00f3rio negro ser\u00e1 aqui concebido enquanto espa\u00e7o fisico e simb\u00f3lico, configurado a partir da funcionalidade (habita\u00e7\u00e3o, trabalho, lazer) e\/ou da pr\u00e1tica cultural (batuque, carnaval, religiosidade) exercida por mulheres e homens negros, cuja significa\u00e7\u00e3o \u00e9 constru\u00edda a partir da presen\u00e7a negra e\/ou das atividades desenvolvidas por estes<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>Naturalmente, Porto Alegre n\u00e3o teve na Col\u00f4nia Africana o seu \u00fanico territ\u00f3rio negro durante a sua forma\u00e7\u00e3o. A segrega\u00e7\u00e3o espacial da popula\u00e7\u00e3o negra urbana se manifestou em diversos momentos, e em diversos espa\u00e7os da cidade, sendo que at\u00e9 no cora\u00e7\u00e3o do atual centro hist\u00f3rico esses territ\u00f3rios existiram na forma de ruas e becos. De um modo geral, essa segrega\u00e7\u00e3o \u00e9 at\u00e9 hoje uma marca das cidades brasileiras devido \u00e0s origens escravistas do pa\u00eds, que legou \u00e0 sociedade um car\u00e1ter excludente e de repress\u00e3o brutal \u00e0 cultura, \u00e0 religiosidade e \u00e0s vidas negras.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5630\" aria-describedby=\"caption-attachment-5630\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Virgilio-Calegari_-053.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5630\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Virgilio-Calegari_-053-733x1024.jpg\" alt=\"Foto de mulher desconhecida. Virg\u00edlio Calegari, in\u00edcio do s\u00e9c. XX. Fototeca Sioma Breitman, Museu Joaquim Jos\u00e9 Felizardo de Porto Alegre.\" width=\"660\" height=\"922\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Virgilio-Calegari_-053-733x1024.jpg 733w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Virgilio-Calegari_-053-215x300.jpg 215w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Virgilio-Calegari_-053-768x1074.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Virgilio-Calegari_-053-1099x1536.jpg 1099w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Virgilio-Calegari_-053-1465x2048.jpg 1465w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Virgilio-Calegari_-053-7x10.jpg 7w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Virgilio-Calegari_-053-432x604.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Virgilio-Calegari_-053-396x554.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Virgilio-Calegari_-053-1120x1566.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Virgilio-Calegari_-053-660x923.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Virgilio-Calegari_-053-157x220.jpg 157w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Virgilio-Calegari_-053.jpg 1641w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5630\" class=\"wp-caption-text\">Foto de mulher desconhecida. Virg\u00edlio Calegari, in\u00edcio do s\u00e9c. XX. Fototeca Sioma Breitman, Museu Joaquim Jos\u00e9 Felizardo de Porto Alegre.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na virada do s\u00e9culo XIX para o s\u00e9culo XX, a extin\u00e7\u00e3o do regime escravista reclamou outras formas de controle social, invocando doutrinas racistas pseudo-cient\u00edficas para manter a hierarquiza\u00e7\u00e3o social tradicional e marginalizar a popula\u00e7\u00e3o negra. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m houve uma busca ativa de <em>apagar<\/em> a presen\u00e7a africana e afrodescendente da identidade nacional na forma das pol\u00edticas de branqueamento, que promoveram o influxo de imigrantes europeus, em especial alem\u00e3es e italianos, para o pa\u00eds desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. Essa r\u00e1pida passagem por todas essas quest\u00f5es, que s\u00e3o muito mais complexas e vastas do que o espa\u00e7o deste texto, \u00e9 necess\u00e1ria para entendermos como se constitu\u00edram os territ\u00f3rios negros de Porto Alegre, e como eles tamb\u00e9m foram \u201cesquecidos\u201d.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a Cidade Baixa, assim como a Col\u00f4nia Africana, tamb\u00e9m tem suas origens na ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio pela popula\u00e7\u00e3o negra de Porto Alegre. O famoso<a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/o-areal-da-baronesa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong> Areal da Baronesa<\/strong><\/a>, ali\u00e1s, fica na Cidade Baixa, e todas essas \u00e1reas compartilharam caracter\u00edsticas comuns de urbaniza\u00e7\u00e3o e de classe, como explica o historiador Marcus Vin\u00edcius Rosa:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Entre o final do s\u00e9culo XIX e as primeiras d\u00e9cadas do XX, os negros estavam fortemente associados a dois bairros da cidade: Col\u00f4nia Africana e Cidade Baixa [&#8230;]. De um modo geral, estes locais ficaram conhecidos pela falta de melhorias urbanas, pelo oferecimento de moradias baratas e principalmente por concentrar os negros e os pobres em geral. <em>Embora n\u00e3o tenham sido encontrados dados demogr\u00e1ficos espec\u00edficos sobre a cor da popula\u00e7\u00e3o naqueles espa\u00e7os, a elevada densidade populacional negra ficou bastante evidente nas fontes<\/em> [grifo da pesquisadora]; ao mesmo tempo, l\u00e1 tamb\u00e9m havia indiv\u00edduos cuja cor da pele tinha outros matizes<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5631\" aria-describedby=\"caption-attachment-5631\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Cidade-Baixa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5631\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Cidade-Baixa-1024x643.jpg\" alt=\"Planta de Porto Alegre de 1916, IHGRGS. A marca\u00e7\u00e3o em rosa indica a \u00e1rea da Cidade Baixa. Edi\u00e7\u00e3o da pesquisadora.\" width=\"660\" height=\"414\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Cidade-Baixa-1024x643.jpg 1024w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Cidade-Baixa-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Cidade-Baixa-768x482.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Cidade-Baixa-1536x964.jpg 1536w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Cidade-Baixa-10x6.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Cidade-Baixa-432x271.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Cidade-Baixa-396x249.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Cidade-Baixa-1120x703.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Cidade-Baixa-660x414.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Cidade-Baixa-351x220.jpg 351w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Cidade-Baixa.jpg 1877w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5631\" class=\"wp-caption-text\">Planta de Porto Alegre de 1916, IHGRGS. A marca\u00e7\u00e3o em rosa indica a \u00e1rea da Cidade Baixa. Edi\u00e7\u00e3o da pesquisadora.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Assim, a pobreza foi uma caracter\u00edstica fundamental desses espa\u00e7os negros, tanto para a Cidade Baixa quanto para a Col\u00f4nia Africana. Mas, afinal, onde se localizava essa \u00faltima? Em linhas gerais, podemos pensar a \u00e1rea da Col\u00f4nia Africana como sendo aquela delimitada, ao norte, pela avenida Independ\u00eancia e 24 de Outubro, e, ao sul, pelas avenidas Osvaldo Aranha e Prot\u00e1sio Alves.<\/p>\n<h3><strong>A Col\u00f4nia Africana em mapas:<\/strong><\/h3>\n<figure id=\"attachment_5632\" aria-describedby=\"caption-attachment-5632\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Colonia-Africana.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5632\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Colonia-Africana-1024x643.jpg\" alt=\"Planta de Porto Alegre de 1916, IHGRGS. A marca\u00e7\u00e3o em amarelo indica a \u00e1rea da Col\u00f4nia Africana, e a seta o seu sentido de deslocamento ao longo do s\u00e9culo XX. Edi\u00e7\u00e3o da pesquisadora.\" width=\"660\" height=\"414\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Colonia-Africana-1024x643.jpg 1024w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Colonia-Africana-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Colonia-Africana-768x482.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Colonia-Africana-1536x964.jpg 1536w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Colonia-Africana-10x6.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Colonia-Africana-432x271.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Colonia-Africana-396x249.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Colonia-Africana-1120x703.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Colonia-Africana-660x414.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Colonia-Africana-351x220.jpg 351w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Planta_1916_Color_M_Norte-Colonia-Africana.jpg 1877w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5632\" class=\"wp-caption-text\">Planta de Porto Alegre de 1916, IHGRGS. A marca\u00e7\u00e3o em amarelo indica a \u00e1rea da Col\u00f4nia Africana, e a seta o seu sentido de deslocamento ao longo do s\u00e9culo XX. A avenida destacada em rosa \u00e9 a Independ\u00eancia, em verde, as avenidas Osvaldo Aranha e Prot\u00e1sio Alves. Edi\u00e7\u00e3o da pesquisadora.<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_5633\" aria-describedby=\"caption-attachment-5633\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5633\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana-1024x671.jpg\" alt=\"Foto de sat\u00e9lite de Porto Alegre, Google Maps. A marca\u00e7\u00e3o em amarelo indica a \u00e1rea da Col\u00f4nia Africana, e a seta o seu sentido de deslocamento ao longo do s\u00e9culo XX. Edi\u00e7\u00e3o da pesquisadora.\" width=\"660\" height=\"432\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana-1024x671.jpg 1024w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana-768x503.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana-10x7.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana-432x283.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana-396x259.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana-1120x733.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana-660x432.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana-336x220.jpg 336w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana.jpg 1246w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5633\" class=\"wp-caption-text\">Foto de sat\u00e9lite de Porto Alegre, Google Maps. A marca\u00e7\u00e3o em amarelo indica a \u00e1rea da Col\u00f4nia Africana, e a seta o seu sentido de deslocamento ao longo do s\u00e9culo XX. A avenida destacada em rosa \u00e9 a Independ\u00eancia, em verde, as avenidas Osvaldo Aranha e Prot\u00e1sio Alves. Edi\u00e7\u00e3o da pesquisadora.<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00c9 interessante notar que a Col\u00f4nia Africana se desenvolveu justamente ao lado dos bairros Independ\u00eancia e Moinhos de Vento, com seus luxuosos palacetes e ocupa\u00e7\u00e3o predominantemente rica, branca e imigrante. Contudo, parece ter havido um movimento em dire\u00e7\u00e3o ao leste da cidade ao longo do s\u00e9culo XX, \u00e0 medida em que a urbaniza\u00e7\u00e3o e a gentrifica\u00e7\u00e3o de partes dessa grande \u00e1rea, mais pr\u00f3ximas ao centro, iam se consolidando e expulsando os moradores negros para cada vez mais longe. O historiador Eduardo Kersting, no entanto, trabalha com a hip\u00f3tese desse territ\u00f3rio ter se originado nas terras da fam\u00edlia Mariante<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> no final do s\u00e9culo XIX:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">[&#8230;] o que interessa aqui \u00e9 o fato dos Mariante terem sido propriet\u00e1rios de terras e escravos no exato local em que logo se estabeleceria tal comunidade negra [a Col\u00f4nia Africana]. Isso nos faz imaginar uma rela\u00e7\u00e3o direta entre essa fam\u00edlia escravocrata e a presen\u00e7a de negros nas suas antigas propriedades ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o. Embora se deva evitar fazer uma liga\u00e7\u00e3o desse tipo sem um maior respaldo documental, deve-se admitir que \u00e9 uma hip\u00f3tese bastante consider\u00e1vel a de colocar a origem dos habitantes negros da Col\u00f4nia Africana nas antigas propriedades de escravocratas que compunham tal \u00e1rea<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5635\" aria-describedby=\"caption-attachment-5635\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Campo-da-Redempcao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5635\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Campo-da-Redempcao-1024x664.jpg\" alt=\"Postal mostrando o atual Parque da Reden\u00e7\u00e3o no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Acervo desconhecido.\" width=\"660\" height=\"428\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Campo-da-Redempcao-1024x664.jpg 1024w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Campo-da-Redempcao-300x195.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Campo-da-Redempcao-768x498.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Campo-da-Redempcao-10x6.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Campo-da-Redempcao-432x280.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Campo-da-Redempcao-396x257.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Campo-da-Redempcao-1120x726.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Campo-da-Redempcao-660x428.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Campo-da-Redempcao-339x220.jpg 339w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Campo-da-Redempcao.jpg 1257w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5635\" class=\"wp-caption-text\">Postal mostrando o atual Parque da Reden\u00e7\u00e3o e o Col\u00e9gio Militar (Escola de Guerra) no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Ambos s\u00e3o vizinhos \u00e0 \u00e1rea antiga Col\u00f4nia Africana. Acervo desconhecido.<\/figcaption><\/figure>\n<p>J\u00e1 a fot\u00f3grafa e historiadora Irene Santos traz o testemunho de Jayme Moreira, antigo morador da \u00e1rea, e que indica que a Col\u00f4nia Africana ocupava uma \u00e1rea bem maior do que a tradicionalmente considerada pela historiografia:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u2018A Col\u00f4nia come\u00e7ava na Ramiro Barcellos e ia tomando conta de todas as travessas e ruas que hoje comp\u00f5em o Bairro Rio Branco, pegava uma parte da Avenida Independ\u00eancia, seguia pela Rua Mostardeiros, chegava ao Bairro Moinhos de Vento e subia pela Lucas de Oliveira para atingir o Mont\u2019Serrat. Mais para baixo, do outro lado, onde \u00e9 hoje o Hospital de Cl\u00ednicas, a Col\u00f4nia se estendia at\u00e9 o Bairro Santana, abrangendo antes as ruas Santa Cec\u00edlia e Leopoldo Bier\u2019<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5637\" aria-describedby=\"caption-attachment-5637\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana_Moreira.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5637\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana_Moreira-1024x671.jpg\" alt=\"Porto Alegre em foto de sat\u00e9lite, Google Maps. Em azul, a mancha ocupada pela Col\u00f4nia Africana segundo Jayme Moreira, com ocupa\u00e7\u00e3o estendida para o sul. Edi\u00e7\u00e3o da pesquisadora. \" width=\"660\" height=\"432\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana_Moreira-1024x671.jpg 1024w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana_Moreira-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana_Moreira-768x503.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana_Moreira-10x7.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana_Moreira-432x283.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana_Moreira-396x259.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana_Moreira-1120x733.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana_Moreira-660x432.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana_Moreira-336x220.jpg 336w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Porto-Alegre-Google-Maps-16-11-2022-Colonia-Africana_Moreira.jpg 1246w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5637\" class=\"wp-caption-text\">Porto Alegre em foto de sat\u00e9lite, Google Maps. Em azul, a mancha ocupada pela Col\u00f4nia Africana segundo Jayme Moreira, com ocupa\u00e7\u00e3o estendida para o sul. Edi\u00e7\u00e3o da pesquisadora.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Moreira chega a considerar que Col\u00f4nia Africana tenha suas origens ainda mais recuadas no tempo, mais exatamente em meados do s\u00e9culo XIX:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Os negros que sobreviveram \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, os lanceiros negros, n\u00e3o voltaram para os senhores, fugiram do cativeiro e, sempre juntos com mulheres e filhos, come\u00e7aram a habitar as terras do Morro da Igreja da Nossa Senhora da Piedade. A Col\u00f4nia Africana foi um reduto de liberdade, come\u00e7o de uma nova vida marcada pelo jeito negro de viver<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5650\" aria-describedby=\"caption-attachment-5650\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-455f-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5650\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-455f-1024x750.jpg\" alt=\"Escravos libertos. Fotografia de Lunara, provavelmente in\u00edcio do s\u00e9c. XX. Foto 455f da Fototeca Sioma Breitman. Museu Joaquim Jos\u00e9 Felizardo de Porto Alegre.\" width=\"660\" height=\"483\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-455f-1024x750.jpg 1024w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-455f-300x220.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-455f-768x562.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-455f-1536x1125.jpg 1536w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-455f-2048x1500.jpg 2048w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-455f-10x7.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-455f-432x316.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-455f-396x290.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-455f-1120x820.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-455f-660x483.jpg 660w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5650\" class=\"wp-caption-text\"><em>Escravos libertos<\/em>. Fotografia de Lunara, provavelmente in\u00edcio do s\u00e9c. XX. Foto 455f da Fototeca Sioma Breitman. Museu Joaquim Jos\u00e9 Felizardo de Porto Alegre.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Se n\u00e3o temos exatid\u00e3o quanto \u00e0 chegada dos primeiros ocupantes e ao exato local de forma\u00e7\u00e3o da Col\u00f4nia Africana, a sua estreita liga\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura negra no imagin\u00e1rio urbano entre as d\u00e9cadas finais do s\u00e9culo XIX e a segunda metade do XX \u00e9 ineg\u00e1vel. S\u00e9rgio da Costa Franco afirma que \u201cna imprensa local [&#8230;] desde o princ\u00edpio da d\u00e9cada de noventa [1890], podem ser encontradas refer\u00eancias \u00e0 \u2018Col\u00f4nia Africana\u2019, e n\u00e3o raro desairosas\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. Essa estigmatiza\u00e7\u00e3o foi uma constante tamb\u00e9m ao longo das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, em que a Col\u00f4nia Africana aparecia nos jornais como um espa\u00e7o de pobreza, criminalidade e imoralidade. Neles, noticiava-se com sensacionalismo e riqueza de detalhes os <em>dist\u00farbios<\/em>, as <a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/um-drama-passional-na-colonia-africana\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>cenas de sangue<\/em><\/a> e os <em>conflitos<\/em> ocorridos na <em>celeb\u00e9rrima<\/em> Col\u00f4nia Africana. Criava-se assim uma imagem terr\u00edvel do lugar, associando-o \u00e0s bebedeiras, aos <em>batuques<\/em> e \u00e0 criminalidade de um modo geral, o que se estendia aos seus moradores.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5638\" aria-describedby=\"caption-attachment-5638\" style=\"width: 968px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-02.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5638\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-02.jpg\" alt=\"Postal de vista da Col\u00f4nia Africana no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Acervo desconhecido.\" width=\"968\" height=\"624\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-02.jpg 968w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-02-300x193.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-02-768x495.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-02-10x6.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-02-432x278.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-02-396x255.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-02-660x425.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-02-341x220.jpg 341w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5638\" class=\"wp-caption-text\">Postal de vista da Col\u00f4nia Africana no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Acervo desconhecido.<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_5642\" aria-describedby=\"caption-attachment-5642\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_Num-Comemorativo-do-Centenario-da-Independencia_Colonia-Africana-amanhecer.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5642\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_Num-Comemorativo-do-Centenario-da-Independencia_Colonia-Africana-amanhecer-1024x702.jpg\" alt=\"Colonia Africana amanhecer. Revista A M\u00e1scara N\u00famero Comemorativo do Centen\u00e1rio da Independ\u00eancia, Porto Alegre, 1922. Hemeroteca do MCSHJC.\" width=\"660\" height=\"452\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_Num-Comemorativo-do-Centenario-da-Independencia_Colonia-Africana-amanhecer-1024x702.jpg 1024w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_Num-Comemorativo-do-Centenario-da-Independencia_Colonia-Africana-amanhecer-300x206.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_Num-Comemorativo-do-Centenario-da-Independencia_Colonia-Africana-amanhecer-768x526.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_Num-Comemorativo-do-Centenario-da-Independencia_Colonia-Africana-amanhecer-1536x1052.jpg 1536w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_Num-Comemorativo-do-Centenario-da-Independencia_Colonia-Africana-amanhecer-2048x1403.jpg 2048w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_Num-Comemorativo-do-Centenario-da-Independencia_Colonia-Africana-amanhecer-10x7.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_Num-Comemorativo-do-Centenario-da-Independencia_Colonia-Africana-amanhecer-432x296.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_Num-Comemorativo-do-Centenario-da-Independencia_Colonia-Africana-amanhecer-396x271.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_Num-Comemorativo-do-Centenario-da-Independencia_Colonia-Africana-amanhecer-1120x767.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_Num-Comemorativo-do-Centenario-da-Independencia_Colonia-Africana-amanhecer-660x452.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_Num-Comemorativo-do-Centenario-da-Independencia_Colonia-Africana-amanhecer-321x220.jpg 321w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5642\" class=\"wp-caption-text\"><em>Colonia Africana amanhecer<\/em>. Revista <em>A M\u00e1scara,<\/em> N\u00famero Comemorativo do Centen\u00e1rio da Independ\u00eancia, Porto Alegre, 1922. Hemeroteca do MCSHJC.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em termos de urbaniza\u00e7\u00e3o, a Col\u00f4nia Africana tamb\u00e9m n\u00e3o recebia bom atendimento das autoridades. Por tratar-se de uma \u00e1rea ainda considerada distante do centro da cidade, ocupada por densas matas, e em grande parte, \u00edngreme, o poder p\u00fablico n\u00e3o via valor nela que motivasse uma pronta instala\u00e7\u00e3o de redes de esgoto ou ilumina\u00e7\u00e3o, e talvez mesmo at\u00e9 de coleta de lixo. Tanto \u00e9 assim que a historiadora Sandra Pesavento afirma que, mesmo com a expans\u00e3o da urbaniza\u00e7\u00e3o do entorno de Porto Alegre,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">[&#8230;] territ\u00f3rios como a zona do Mont\u2019Serrat, a Col\u00f4nia Africana e o Areal da Baronesa, cuja origem estava associada \u00e0s popula\u00e7\u00f5es negras de Porto Alegre, [&#8230;] oficialmente n\u00e3o t\u00eam nesta \u00e9poca o estatuto oficial de arraial pelos \u2018not\u00e1veis\u2019, que defendiam a cidade<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p>Por outro lado, o \u00fanico servi\u00e7o p\u00fablico atuante na \u00e1rea era a repress\u00e3o policial.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cAliada a necessidade de um controle total sobre os negros urbanos, decorrente da pr\u00f3pria pr\u00e1tica anterior da escravid\u00e3o nas cidades e, posteriormente, da situa\u00e7\u00e3o dos libertos dentro da nova ordem burguesa, os territ\u00f3rios negros receberam uma aten\u00e7\u00e3o redobrada das autoridades municipais e dos moralistas de plant\u00e3o, que vigiaram de perto a a\u00e7\u00e3o dos seus habitantes<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5643\" aria-describedby=\"caption-attachment-5643\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_06021925_Guarda_Civil_02.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5643\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_06021925_Guarda_Civil_02-1024x711.jpg\" alt=\"A Guarda Civil de Porto Alegre. Revista A Mascara, 06\/02\/1925. Hemeroteca do MCSHJC.\" width=\"660\" height=\"458\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_06021925_Guarda_Civil_02-1024x711.jpg 1024w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_06021925_Guarda_Civil_02-300x208.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_06021925_Guarda_Civil_02-768x533.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_06021925_Guarda_Civil_02-1536x1066.jpg 1536w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_06021925_Guarda_Civil_02-10x7.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_06021925_Guarda_Civil_02-432x300.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_06021925_Guarda_Civil_02-396x275.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_06021925_Guarda_Civil_02-1120x778.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_06021925_Guarda_Civil_02-660x458.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_06021925_Guarda_Civil_02-317x220.jpg 317w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/A_Mascara_06021925_Guarda_Civil_02.jpg 1976w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5643\" class=\"wp-caption-text\"><em>Uma turma da Guarda Civil, organizada pelo sr. Ot\u00e1vio Rocha, governador da Cidade<\/em>. A Guarda Civil de Porto Alegre. Revista <em>A Mascara<\/em>, 06\/02\/1925. Hemeroteca do MCSHJC.<\/figcaption><\/figure>\n<p>De fato, a aten\u00e7\u00e3o dos poderes p\u00fablicos ao local era geralmente no sentido de disciplinar os negros e pobres e os seus espa\u00e7os, n\u00e3o raro com o emprego da viol\u00eancia. Por\u00e9m, o real desejo da administra\u00e7\u00e3o de Porto Alegre, cidade que se queria branca e afrancesada, era eliminar aquele territ\u00f3rio problem\u00e1tico das proximidades do seu per\u00edmetro urbano. Nesse sentido, S\u00e9rgio da Costa Franco n\u00e3o deixa escapar a ironia do fato de que, quando a Col\u00f4nia Africana finalmente ganha a devida aten\u00e7\u00e3o da prefeitura, esta \u00e9 no sentido de \u201ctir\u00e1-la do mapa\u201d da cidade:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">S\u00f3 em 1918, um relat\u00f3rio oficial da Intend\u00eancia Municipal menciona expressivos melhoramentos nesse bairro: \u2018Grandes foram os melhoramentos executados no bairro Rio Branco (antiga Col\u00f4nia Africana) e que vieram dar \u00e0s ruas com a retifica\u00e7\u00e3o dos seus alinhamentos, modifica\u00e7\u00e3o de seus perfis, facilitando-lhe o tr\u00e2nsito, coloca\u00e7\u00e3o de cord\u00f5es, constru\u00e7\u00e3o de calhas e passeios\u2019. A men\u00e7\u00e3o do Intendente Montaury \u00e0 \u2018ex-Col\u00f4nia Africana\u2019 d\u00e1 a entender que a primitiva denomina\u00e7\u00e3o j\u00e1 estivesse sob censura social, tendente a melhorar sua antiga imagem<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cMelhorar\u201d a imagem, ou seja, urbanizar, tamb\u00e9m significava aumentar a <em>d\u00e9cima urbana<\/em>, ou seja, o imposto cobrado pela prefeitura aos moradores da \u00e1rea. Eduardo Kersting relata que a d\u00e9cima urbana era de 10% para as \u00e1reas urbanizadas, caindo para 5% para as \u00e1reas suburbanas. Naturalmente, permaneciam apenas as fam\u00edlias que poderiam pagar para permanecer numa \u00e1rea urbanizada:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Aparentando, de in\u00edcio, um privil\u00e9gio para a popula\u00e7\u00e3o suburbana, esse tipo de tributa\u00e7\u00e3o foi, na verdade, um dos principais instrumentos de expuls\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o pobre das \u00e1reas centrais da cidade, pois dificultava financeiramente o seu estabelecimento no centro, empurrando-a para a periferia<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n<p>Conforme complementa Daniele Vieira, \u201c[&#8230;] os impostos passam a ficar mais altos e provavelmente um novo padr\u00e3o de moradia e de morador se estabelece. A popula\u00e7\u00e3o negra e com menor renda ali residente come\u00e7a a migrar\u201d<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. Assim, nos anos 1910-1920 come\u00e7ava a mudan\u00e7a de ocupa\u00e7\u00e3o daquele espa\u00e7o urbano, mudando sensivelmente seu perfil \u00e9tnico e de classe.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m a religiosidade mudava: se os cultos afro-brasileiros permaneceram fortes na \u00e1rea da Col\u00f4nia Africana durante muitas d\u00e9cadas, ainda no s\u00e9culo XIX o terreno para uma nova par\u00f3quia era doado:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">O senhor Polid\u00f3rio Jos\u00e9 de Souza e sua excelent\u00edssima esposa dona Alexandrina da Silva Mariante aparecem como doadores, em 1888, de um terreno sito \u00e0 rua Cabral, em plena Col\u00f4nia Africana, para o bispado de Porto Alegre construir uma capela sob a invoca\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora da Piedade<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5652\" aria-describedby=\"caption-attachment-5652\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Igreja-N-S-da-Piedade-em-1918.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5652\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Igreja-N-S-da-Piedade-em-1918-1024x581.jpg\" alt=\"A Igreja de Nossa Senhora da Piedade, em 1918, no bairro Rio Branco, antiga Col\u00f4nia Africana. Acervo desconhecido.\" width=\"660\" height=\"374\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Igreja-N-S-da-Piedade-em-1918-1024x581.jpg 1024w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Igreja-N-S-da-Piedade-em-1918-300x170.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Igreja-N-S-da-Piedade-em-1918-768x436.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Igreja-N-S-da-Piedade-em-1918-10x6.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Igreja-N-S-da-Piedade-em-1918-432x245.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Igreja-N-S-da-Piedade-em-1918-396x225.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Igreja-N-S-da-Piedade-em-1918-1120x636.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Igreja-N-S-da-Piedade-em-1918-660x375.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Igreja-N-S-da-Piedade-em-1918-388x220.jpg 388w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Igreja-N-S-da-Piedade-em-1918.jpg 1237w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5652\" class=\"wp-caption-text\">A Igreja de Nossa Senhora da Piedade, em 1918, no bairro Rio Branco, antiga Col\u00f4nia Africana. Acervo desconhecido.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Contudo, a igreja s\u00f3 seria constru\u00edda nos primeiros anos da d\u00e9cada de 1910, tendo o padre Matias Wagner \u00e0 sua frente a partir de 1916. O religioso escreve o relato <em>Par\u00f3quia de N. S. da Piedade de Porto Alegre: 1916-1958<\/em>, no qual detalha v\u00e1rios aspectos da paisagem e da vida na Col\u00f4nia Africana:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>O<\/em> <em>centro <\/em>deste recanto da cidade, (os terrenos mais baixos), era quase todo alagadi\u00e7o, prop\u00edcio a focos de insetos de toda esp\u00e9cie, n\u00e3o faltando tamb\u00e9m os batr\u00e1quios que, em noites chuvosas, entretinham os moradores com o seu cl\u00e1ssico coaxar, maravilhosamente combinado e compassado<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5645\" aria-describedby=\"caption-attachment-5645\" style=\"width: 970px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-01.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5645\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-01.jpg\" alt=\"Postal de vista da Col\u00f4nia Africana no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Acervo desconhecido.\" width=\"970\" height=\"626\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-01.jpg 970w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-01-300x194.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-01-768x496.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-01-10x6.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-01-432x279.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-01-396x256.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-01-660x426.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Goncalo-de-Carvalho_Album-POA-1900-1920-Colonia-Africana-01-341x220.jpg 341w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5645\" class=\"wp-caption-text\">Postal de vista da Col\u00f4nia Africana no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Acervo desconhecido.<\/figcaption><\/figure>\n<blockquote>\n<h2><strong>\u2018Nada de bandidagem nem de malandragem\u2019: a mem\u00f3ria afetiva da Col\u00f4nia Africana<\/strong><\/h2>\n<\/blockquote>\n<p>Apesar de todas as campanhas de condena\u00e7\u00e3o moral e estigmatiza\u00e7ao, a Col\u00f4nia Africana era, sobretudo, um territ\u00f3rio de trabalhadores pobres. Como continua o padre Wagner em seu relato, \u201c<em>os moradores<\/em>, avaliados em cerca de 8 mil, ainda que de posi\u00e7\u00e3o modesta e pobres, eram pacatos e respeitadores, entregue, cada qual a seus afazeres honestos\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. De fato, ali encontravam-se alfaiates, pipeiros<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>, lavadeiras, doceiras, pedreiros, cozinheiras, motoristas, m\u00fasicos, professoras, entre tantos e tantas outras.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5629\" aria-describedby=\"caption-attachment-5629\" style=\"width: 1011px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Bica-na-Carlos-Trein-Filho-VIEIRA-2017-p154.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5629\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Bica-na-Carlos-Trein-Filho-VIEIRA-2017-p154.jpg\" alt=\"Bica na rua Carlos Trein Filho, na bacia do Mont'Serrat. Fotografia de Daniele Machado Vieira em sa\u00edda de campo de 23\/01\/2015. In: VIEIRA, 2017, p. 154.\" width=\"1011\" height=\"757\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Bica-na-Carlos-Trein-Filho-VIEIRA-2017-p154.jpg 1011w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Bica-na-Carlos-Trein-Filho-VIEIRA-2017-p154-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Bica-na-Carlos-Trein-Filho-VIEIRA-2017-p154-768x575.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Bica-na-Carlos-Trein-Filho-VIEIRA-2017-p154-10x7.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Bica-na-Carlos-Trein-Filho-VIEIRA-2017-p154-432x323.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Bica-na-Carlos-Trein-Filho-VIEIRA-2017-p154-396x297.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Bica-na-Carlos-Trein-Filho-VIEIRA-2017-p154-660x494.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Bica-na-Carlos-Trein-Filho-VIEIRA-2017-p154-294x220.jpg 294w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5629\" class=\"wp-caption-text\">Bica na rua Carlos Trein Filho, na bacia do Mont&#8217;Serrat, tradicionalmente usada pelas lavadeiras negras. Fotografia de Daniele Machado Vieira em sa\u00edda de campo de 23\/01\/2015. In: VIEIRA, 2017, p. 154.<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_5646\" aria-describedby=\"caption-attachment-5646\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/charles1_original.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5646\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/charles1_original-1024x676.jpg\" alt=\"Pipeiro ou aguadeiro no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. In: Biografia duma cidade, Porto Alegre, 1941.\" width=\"660\" height=\"436\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/charles1_original-1024x676.jpg 1024w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/charles1_original-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/charles1_original-768x507.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/charles1_original-1536x1015.jpg 1536w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/charles1_original-10x7.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/charles1_original-432x285.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/charles1_original-396x262.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/charles1_original-1120x740.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/charles1_original-660x436.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/charles1_original-333x220.jpg 333w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/charles1_original.jpg 1673w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5646\" class=\"wp-caption-text\">Pipeiro ou aguadeiro no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. In: <em>Biografia duma cidade<\/em>, Porto Alegre, 1941.<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_5662\" aria-describedby=\"caption-attachment-5662\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-587f.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5662\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-587f-768x1024.jpg\" alt=\"Cozinheiros. Virg\u00edlio Calegari, in\u00edcio do s\u00e9c. XX. Foto 587f da Fototeca Sioma Breitman, Museu Joaquim Jos\u00e9 Felizardo de Porto Alegre.\" width=\"660\" height=\"880\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-587f-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-587f-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-587f-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-587f-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-587f-7x10.jpg 7w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-587f-432x576.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-587f-396x528.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-587f-1120x1494.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-587f-660x880.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-587f-165x220.jpg 165w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foto-587f.jpg 1544w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5662\" class=\"wp-caption-text\">Cozinheiros. Virg\u00edlio Calegari, in\u00edcio do s\u00e9c. XX. Foto 587f da Fototeca Sioma Breitman, Museu Joaquim Jos\u00e9 Felizardo de Porto Alegre.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Como diz Jayme Moreira,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cNada de bandidagem nem de malandragem, a Col\u00f4nia Africana era um territ\u00f3rio de gente trabalhadora, honesta, correta e que estudava. Mais do que isto, era um lugar onde predominava a alegria, a amizade, n\u00e3o havia espa\u00e7o para brigas\u201d<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5653\" aria-describedby=\"caption-attachment-5653\" style=\"width: 969px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Colonos-familia-1915.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5653\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Colonos-familia-1915.jpg\" alt=\"Foto de fam\u00edlia de acervo particular. Fonte: Cidinha da Silva\/Blog da Cidinha. \" width=\"969\" height=\"644\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Colonos-familia-1915.jpg 969w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Colonos-familia-1915-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Colonos-familia-1915-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Colonos-familia-1915-10x7.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Colonos-familia-1915-432x287.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Colonos-familia-1915-396x263.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Colonos-familia-1915-660x439.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Colonos-familia-1915-331x220.jpg 331w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5653\" class=\"wp-caption-text\">Foto de fam\u00edlia de acervo particular, prov. d\u00e9cada de 1920. Fonte: Cidinha da Silva\/Blog da Cidinha.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em entrevista a Irene Santos, Moreira ainda relata as comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio da Col\u00f4nia Africana:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">[&#8230;] ocorridos em 7 de setembro de 1935 com intensa programa\u00e7\u00e3o, que incluiu jogos de futebol, apresenta\u00e7\u00e3o do Grupo Carnavalesco <em>A\u00ed Vem a Marinha<\/em> e um grande baile no Sal\u00e3o do Rui, na \u00e9poca, Sal\u00e3o Modelo. As comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio da comunidade negra corriam paralelas \u00e0quela que foi considerada uma das maiores festas e Porto Alegre: a exposi\u00e7\u00e3o do Centen\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>.<\/p>\n<p>N\u00e3o sabemos se a data continuou a ser comemorada naquele bairro afro-brasileiro, mas a Col\u00f4nia Africana foi pr\u00f3diga em grupos carnavalescos. Grupos como os Turunas ou os Prediletos foram estrelas de muitos bailes e desfiles de rua, e tamb\u00e9m foi nos carnavais do bairro que <a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/horacina-correa-uma-saudade-boa-de-se-sentir\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Horacina Corr\u00eaa<\/strong><\/a>, solista dos Turunas, revelou o seu talento. A respeito dess famosa cantora que teve proje\u00e7\u00e3o nacional, Daniele Vieira cita o emocionante testemunho de Dolzira Padilha, nascida em 1910 e moradora da rua Esperan\u00e7a<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a> no in\u00edcio dos anos 1930:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u2018Eu morava na Rua Esperan\u00e7a, mas eu n\u00e3o podia ver o cord\u00e3o, esse Turuna sa\u00ed, porque eu trabalhava numa f\u00e1brica de vime e a gente tinha que chegar na hora, quer dizer, eu tinha que me deitar cedo, n\u00e9. O marido saia pro bloco e eu ia me deit\u00e1. Mas quando era seis horas eu n\u00e3o resistia, n\u00e3o resistia porque o cord\u00e3o de volta, n\u00e9 6h, 4h, da madrugada. Ent\u00e3o quando ela vinha, uma voz que era assunto muito s\u00e9rio, sabe? A voz dela. Ent\u00e3o ela cantava como \u00e9 que eu vou canta&#8230;:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>\u2018Ei-la seu coisada enfeza na batucada,<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>Ei-la seu coisada enfeza na batucada,<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>Pimenta do reino \u00e9 preta, mas faz um pir\u00e3o gostoso&#8230;\u2019<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">Ai, quando essa mulher gritava isso, eu tinha que me levant\u00e1, ah eu tinha que me levant\u00e1, tinha que v\u00ea ela pass\u00e1. Ent\u00e3o ela passou muito bonita um ano, foi em 31, isso eu me lembro bem, ela toda de cossaco, era cor de rosa e branco a fantasia deles e essa mulher vinha cantando, mas ent\u00e3o era um sucesso, agarravam ela numa cadeira, traziam ela na cadeira [&#8230;] ela era Horacina Correa. E eu era louca por ela, eu ficava no port\u00e3o [&#8230;]\u2019<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3254\" aria-describedby=\"caption-attachment-3254\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_carmem-miranda2w.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3254\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_carmem-miranda2w.jpg\" alt=\"Horacina Corr\u00eaa em homenagem a Carmen Miranda, 1941. Acervo A. Canto. In: SANTOS, 2010, p. 92.\" width=\"700\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_carmem-miranda2w.jpg 700w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_carmem-miranda2w-210x300.jpg 210w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_carmem-miranda2w-7x10.jpg 7w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_carmem-miranda2w-432x617.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_carmem-miranda2w-396x566.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_carmem-miranda2w-660x943.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_carmem-miranda2w-154x220.jpg 154w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3254\" class=\"wp-caption-text\">Horacina Corr\u00eaa em homenagem a Carmen Miranda, 1941. Acervo A. Canto. In: SANTOS, 2010, p. 92.<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_3245\" aria-describedby=\"caption-attachment-3245\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_turunas_w.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-3245\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_turunas_w-1024x736.jpg\" alt=\"Horacina Corr\u00eaa ao centro com o grupo dos Turunas. Acervo Ieda Vieira Foques. In: SANTOS, 2010, p. 91.\" width=\"660\" height=\"474\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_turunas_w-1024x736.jpg 1024w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_turunas_w-300x215.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_turunas_w-768x552.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_turunas_w-10x7.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_turunas_w-432x310.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_turunas_w-396x284.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_turunas_w-1120x805.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_turunas_w-660x474.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_turunas_w-306x220.jpg 306w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/horacina-corrc3aaa_santos_colonos-e-quilombolas_p92_turunas_w.jpg 1523w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3245\" class=\"wp-caption-text\"><em>Horacina Corr\u00eaa ao centro com o grupo dos Turunas<\/em>. Acervo Ieda Vieira Foques. In: SANTOS, 2010, p. 91.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Por\u00e9m, nem tudo era festa na Col\u00f4nia Africana: tamb\u00e9m havia conflitos, preconceitos e disputas, como em qualquer outro espa\u00e7o da cidade. Irene Santos nos traz as mem\u00f3rias de Neusa Pereira: \u201csuas lembran\u00e7as v\u00e3o das casas simples de madeira, em cujos jardins sobressa\u00edam as margaridas, as d\u00e1lias e os copos de leite, \u00e0s muitas casas de religi\u00e3o que agregavam homens negros e mulheres negras\u201d<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a>. E \u00e9 sobre a disputa religiosa pelo espa\u00e7o que Neusa Pereira fala:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">&nbsp;\u2018Minha av\u00f3, dona Pimba, era uma exce\u00e7\u00e3o. Muito cat\u00f3lica, sa\u00eda pela redondeza para angariar fundos para a compra de tijolos para a igreja Nossa Senhora da Piedade, a primeira a ser constru\u00edda na Col\u00f4nia Africana.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">O dinheiro do povo negro ajudou a levantar a igreja e a manter a par\u00f3quia, mesmo assim os negros n\u00e3o tinham f\u00e1cil acesso. \u2018O padre n\u00e3o atendia os pretos. Lembro que, certa vez, meu tio Simi\u00e3o levou o filho para batizar e o padre se negou. A confus\u00e3o foi grande \u00e0 porta da igreja. O batizado s\u00f3 saiu porque meu tio amea\u00e7ou ir em casa e buscar uma adaga e liquidar a quest\u00e3o\u2019<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a>.<\/p>\n<p>Ao lembrar da Col\u00f4nia Africana, temos que pensar que \u00e9 de relatos de vidas como estas que o espa\u00e7o foi feito: muito mais de emo\u00e7\u00f5es, festas, devo\u00e7\u00f5es, dedica\u00e7\u00e3o e trabalho da popula\u00e7\u00e3o negra de Porto Alegre, do que de sensacionalismo nas p\u00e1ginas policiais dos jornais.<\/p>\n<p>Muitos espa\u00e7os negros urbanos em todo o Brasil, at\u00e9 hoje, sofrem da mesma estigmatiza\u00e7\u00e3o e press\u00e3o pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria que a Col\u00f4nia Africana sofreu h\u00e1 nem tanto tempo atr\u00e1s, e pelos mesmos motivos: empurrar para fora da cidade aqueles que s\u00e3o indesejados, ou seja, os pretos e os pobres. Assim como na Col\u00f4nia Africana, em muitos espa\u00e7os negros Brasil afora, o \u00fanico servi\u00e7o p\u00fablico que funciona \u00e9 a repress\u00e3o pelo aparato policial.<\/p>\n<p>Para quebrar esse ciclo, \u00e9 preciso sempre rememorar a heran\u00e7a africana brasileira nas nossas cidades e identidades, reconhecer a aceitar a dor de saber que o pa\u00eds \u00e9 fruto do trabalho escravizado, e, justamente por isso, erradicar o racismo que estrutura a nossa sociedade.<\/p>\n<hr>\n<h2><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/h2>\n<p>FRANCO, S\u00e9rgio da Costa. <em>Porto Alegre: guia hist\u00f3rico<\/em>. Porto Alegre: Ed. Da Universidade\/UFRGS, 1988. p. 117-118.<\/p>\n<p>PADILHA, Dolzira. <em>Entrevistas sobre os carnavais de Porto Alegre.<\/em> Porto Alegre: Secretaria Municipal de Cultura, 13\/02\/1991. Entrevistadores: Fl\u00e1vio Krawczyk e Wilson Azambuja Vieira Filho.<\/p>\n<p>PESAVENTO, Sandra Jatahy. <em>Mem\u00f3ria Porto Alegre: espa\u00e7os e viv\u00eancias. <\/em>Porto Alegre: Ed. Univerdsidade\/UFRGS, 1999.<\/p>\n<p>ROSA, Marcus Vin\u00edcius de Freitas. <em>Al\u00e9m da invisibilidade: hist\u00f3ria social do racismo em Porto Alegre durante o p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o (1884-1918)<\/em>. Campinas\/SP: Tese apresentada ao Departamento de Hist\u00f3ria do Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da Universidade Estadual de Campinas, 2014.<\/p>\n<p>SANTOS, Irene (coord. ed.). <em>Colonos e quilombolas: mem\u00f3ria fotogr\u00e1fica das col\u00f4nias africanas de Porto Alegre<\/em>. Porto Alegre: [s.n.], 2010. p. 76-89<\/p>\n<p>VIEIRA, Daniele Machado. <em>Territ\u00f3rios negros em Porto Alegre\/RS (1800-1970): Geografia hist\u00f3rica da presen\u00e7a negra no espa\u00e7o urbano.<\/em> Porto Alegre: POSGEA-UFRGS, 2017. Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/hdl.handle.net\/10183\/177570\">http:\/\/hdl.handle.net\/10183\/177570<\/a><\/p>\n<p>WAGNER, Matias. <em>Par\u00f3quia de N. S. da Piedade de Porto Alegre: 1916-1958<\/em>. Porto Alegre: s\/editora, s\/data.<\/p>\n<hr>\n<h3><strong>&nbsp;NOTAS:<\/strong><\/h3>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Segundo Eduardo Kersting, \u201calguns nomes de ruas da Col\u00f4nia Africana apontam para personagens e id\u00e9ias que gravitaram em torno do abolicionismo: temos a rua Liberdade, assim como temos a rua Castro Alves. Nada mais sensato ligar \u00e0quela \u00e1rea negra o ideal de liberdade e o nome do preclaro poeta dos escravos \u2013 ambas as ruas apareceram ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o, no calor dela\u201d. (1999, p. 156-157)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> A Igreja da Nossa Senhora da Piedade, na rua Cabral, foi constru\u00edda nos anos 1910 e a primeira a se estabelecer na Col\u00f4nia Africana. Com isso, a f\u00e9 cat\u00f3lica passava a disputar o espa\u00e7o com as casas de religi\u00e3o afro-brasileira, tradicionais daquele bairro, por\u00e9m perseguidas pelas autoridades policiais.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> As atuais avenidas Osvaldo Aranha e Prot\u00e1sio Alves.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> VIEIRA, 2017, p. 43.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> ROSA, 2014, p. 3<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Essa fam\u00edlia d\u00e1 nome \u00e0 avenida que hoje atravessa o bairro Rio Branco e se prolonga at\u00e9 o bairro Moinhos de Vento at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> KERSTING, 1999, p. 108-109<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> SANTOS, 2010, p. 76-89<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> SANTOS, 2010, p. 76-89<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> FRANCO, 1988, p. 116-117<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> PESAVENTO, 1999, p. 57<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> KERSTING, 1999, p. 143<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> FRANCO, 1988, p. 116-117<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> KERSTING, 1999, p. 122<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> VIEIRA, 2017, p. 171<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> KERSTING, 1999, p. 108.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> WAGNER apud KERSTING, 1999, p. 138<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> WAGNER apud KERSTING, 1999, p. 138<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Vendedores de \u00e1gua pot\u00e1vel que percorriam a cidade com barris puxados por burros ou cavalos. At\u00e9 a d\u00e9cada de 1920, Porto Alegre n\u00e3o dispunha de um servi\u00e7o de fornecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel confi\u00e1vel, sendo necess\u00e1rio, portanto, o servi\u00e7o destes modestos trabalhadores.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> SANTOS, 2010, p. 76-89<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> SANTOS, 2010, p. 76-89<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Atual rua Miguel Tostes.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> PADILHA, 1991, p. 2, apud VIEIRA, 2017, p. 139-141.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> SANTOS, 2010, p. 76-89<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> SANTOS, 2010, p. 76-89<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 cerca de cem anos, o territ\u00f3rio negro urbano que era conhecido como Col\u00f4nia Africana come\u00e7ava a \u201csumir do mapa\u201d de Porto Alegre. De fato, se perguntarmos para algu\u00e9m que hoje transita pelas ruas Cabral, Francisco Ferrer, Miguel Tostes ou at\u00e9 mesmo Lucas de Oliveira se sabe que est\u00e1 num hist\u00f3rico territ\u00f3rio negro urbano da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5648,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[349],"tags":[214,44,515,161],"class_list":["post-5625","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidade","tag-coloniaafricana","tag-historiaurbana","tag-horacinacorrea","tag-portoalegrenegra","entry-image--landscape"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5625","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5625"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5625\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5665,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5625\/revisions\/5665"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5648"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5625"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5625"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5625"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}