{"id":5490,"date":"2023-05-04T16:00:01","date_gmt":"2023-05-04T19:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/?p=5490"},"modified":"2023-05-04T16:24:48","modified_gmt":"2023-05-04T19:24:48","slug":"a-pedra-fundamental-da-tradicional-capella-do-divino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/a-pedra-fundamental-da-tradicional-capella-do-divino\/","title":{"rendered":"&#8220;A pedra fundamental da tradicional capella do Divino&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>No final da d\u00e9cada de 1920 corria a todo o vapor a <a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/a-cidade-se-despede-de-sua-antiga-matriz-e-da-capela-do-divino\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">demoli\u00e7\u00e3o da antiga igreja Matriz<\/a>, que remonta aos primeiros tempos da forma\u00e7\u00e3o da cidade, e da pequena capela do Divino Esp\u00edrito Santo, que ficava ao seu lado. Era a \u00e2nsia pela moderniza\u00e7\u00e3o urbana, e se o estilo colonial portugu\u00eas da antiga Matriz havia ca\u00eddo em desgra\u00e7a, o neog\u00f3tico da pequena capela n\u00e3o teve sorte melhor. Sede de uma das mais tradicionais irmandades religiosas de Porto Alegre, e que promovia grandes festas nas noites de junho na Pra\u00e7a da Matriz, a capela constru\u00edda no final do s\u00e9culo XIX j\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/imperio-do-divino-uma-devocao-que-sai-do-centro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">era considerada muito pequena para o tamanho da irmandade<\/a>, que de fato havia crescido. Contudo, suas funda\u00e7\u00f5es revelaram uma pequena m\u00e1quina do tempo&#8230; &nbsp;<\/p>\n<h2><strong>A pedra fundamental da tradicional capella do Divino<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/strong><\/h2>\n<h3>Foi ella, afinal, encontrada, hontem, nas demoli\u00e7\u00f5es que est\u00e3o sendo feitas<\/h3>\n<h3>Dentro de uma lata, na qual entraRa agua, foram encontradas a acta do lan\u00e7amento daquella pedra, cerimonia essa realisada a 24 de mar\u00e7o de 1882, varios jornaes da \u00e9poca e moedas antigas<\/h3>\n<p>Teve inicio, ha poucas semanas, a demoli\u00e7\u00e3o da antiga capella da Irmandade do Divino Espirito Santo, \u00e1 rua Duque de Caxias, esquina Espirito Santo, afim de dar logar \u00e1s obras de construc\u00e7\u00e3o da Cathedral Metropolitana.<\/p>\n<p>Desde os primeiros trabalhos, todas as atten\u00e7\u00f5es se voltaram para a pedra fundamental do antigo \u2018imperio\u2019, como era mais conhecido aquelle templo. Afinal, foi ella, hontem, encontrada, a mais de um metro de profundidade da porta principal.<\/p>\n<p>O sr. Luiz Marques, contra-mestre da obra, deu sciencia do achado ao commendador Manoel Pereira, actual imperador festeiro, que ali compareceu acompanhado de seu filho dr. Oscar Pereira, os quaes assistiram ao acto da retirada da pedra que era de grez. Entre os presentes, encontrava-se tambem um representante do \u2018Correio do Povo\u2019.<\/p>\n<p>Na cavidade da pedra, coberta por uma lage, da qual sahia uma manilha, foi encontrada a caixa. Em virtude do salitre, por\u00e9m, que se havia formado com a agua, o zinco soffrera sensivelmente.<\/p>\n<p>Uma vez aberta, confirmaram-se as previs\u00f5es feitas de que a agua estragara, infelizmente, a maior parte dos documentos que ella encerrava.<\/p>\n<h3><strong>As moedas<\/strong><\/h3>\n<p>Antes de mais nada, foram retiradas as moedas, que estavam muito azinhavradas, sendo que algumas com difficuldade identificadas.<\/p>\n<p>Entre as que puderam ser reconhecidas, figura uma de nichel, de $200, de 1874; uma de prata de mil r\u00e9is, de 1866; duas de 4 e de 2 centimos de cobre, de 1869, da Republica do Uruguay, uma de cem r\u00e9is, de 1879; um peny, de 1873; uma portugueza, de cobre, de 1874; uma de prata, portugueza, de 1762; 40 centimos da Hespanha, de 1866, 10 centimos da Italia, de 1867; uma de cobre, do Paraguay, de 1870; uma Napole\u00e3o III, sem data; uma de prata de Portugal de 1845; uma Jorge III de 1770, al\u00e9m das que n\u00e3o foram identificadas.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, no interior da caixa havia moedas de varios paizes, o que n\u00e3o deixa de ser curioso, especialmente porque duas dellas contam mais de 150 annos de cunhagem.<\/p>\n<h3><strong>Os jornaes<\/strong><\/h3>\n<p>Com excep\u00e7\u00e3o de um exemplar do extincto \u2018Jornal do Commercio\u2019, que ainda se apresentava em estado soffrivel, os outros exemplares dos jornaes da \u00e9poca ali encontrados estavam inaproveit\u00e1veis. Tendo se molhado, tornaram a seccar, mas ao mais leve contacto se desfizeram.<\/p>\n<p>Os jornaes eram os seguintes:<\/p>\n<p>\u2018Jornal do Commercio\u2019, anno 18\u00ba, redac\u00e7\u00e3o e officinas, pra\u00e7a da Alfandega n. 3, hoje Senador Florencio. Chefe da redac\u00e7\u00e3o, Augusto Porto Alegre; proprietarios. Antonio Candido da Silva Job e Cia.<\/p>\n<p>O \u2018Conservador\u2019, org\u00e3o do Partido Conservador, officinas e redac\u00e7\u00e3o rua Sete de Setembro n. 113, anno IV.<\/p>\n<p>O \u2018Correio do Sul\u2019, org\u00e3o liberal, anno 11, redac\u00e7\u00e3o e typographia rua Andradas n. 112.<\/p>\n<p>O \u2018Mercantil\u2019, anno IV propriedade de Jo\u00e3o Cancio Gomes, redac\u00e7\u00e3o e officinas rua General Camara, n. 49.<\/p>\n<p>O \u2018Seculo\u2019, de Miguel Verna.<\/p>\n<p>As assignaturas dos jornaes acima variava [<em>sic<\/em>] de 12$000 a 14$ annuaes, custando o numero do dia 80 r\u00e9is.<\/p>\n<h3><strong>A acta<\/strong><\/h3>\n<p>foi tambem encontrada em mau estado, illegivel.<\/p>\n<p>Com o auxilio de uma lente, foi possivel ler que o presidente da provincia era o dr. Jos\u00e9 Godoy de Vasconcellos, e bispo d. Sebasti\u00e3o Diogo Larangeira.<\/p>\n<p>Entre os nomes identificados, figuram os de Antonio Jos\u00e9 do Canto Junior, Antonio Francisco dos Santos Pinto, Jos\u00e9 Rodrigues da Rocha e Pedro Theobaldo Jaeger.<\/p>\n<p>Havia muitas outras assignaturas, que pelos motivos acima estavam irreconheciveis.<\/p>\n<h3><strong>O destino dado \u00e1 pedra e aos documentos<\/strong><\/h3>\n<p>O commendador Manoel Pereira determinou que a caixa e os documentos fossem levados \u00e1 rua residencia, para serem guardados no cofre do Instituto Pereira Filho.<\/p>\n<p>Dentro de poucos dias, voltar\u00e3o elles para a antiga pera, em nova caixa, que ser\u00e1 collocada junto da pedra fundamental, lan\u00e7ada h\u00e1 poucas semanas para a construc\u00e7\u00e3o da nova capella do Divino Espirito Santo, \u00e1 avenida Bom Fim, esquina da Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio.<\/p>\n<p>De toda a cerimonia foi lavrada uma acta\u201d.<\/p>\n<p><em>Autoria desconhecida.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_5491\" aria-describedby=\"caption-attachment-5491\" style=\"width: 332px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/CP_AHMMV_20-11-1929_-A-pedra-fundamental-da-capela-do-Divino-p08_w-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5491\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/CP_AHMMV_20-11-1929_-A-pedra-fundamental-da-capela-do-Divino-p08_w-332x1024.jpg\" alt=\"&quot;A pedra fundamental da capela do Divino...&quot; Correio do Povo, 20\/11\/1929, p. 8. Hemeroteca do Arquivo Hist\u00f3rico Municipal Moys\u00e9s Vellinho.\" width=\"332\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/CP_AHMMV_20-11-1929_-A-pedra-fundamental-da-capela-do-Divino-p08_w-332x1024.jpg 332w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/CP_AHMMV_20-11-1929_-A-pedra-fundamental-da-capela-do-Divino-p08_w-97x300.jpg 97w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/CP_AHMMV_20-11-1929_-A-pedra-fundamental-da-capela-do-Divino-p08_w-768x2366.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/CP_AHMMV_20-11-1929_-A-pedra-fundamental-da-capela-do-Divino-p08_w-498x1536.jpg 498w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/CP_AHMMV_20-11-1929_-A-pedra-fundamental-da-capela-do-Divino-p08_w-3x10.jpg 3w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/CP_AHMMV_20-11-1929_-A-pedra-fundamental-da-capela-do-Divino-p08_w-432x1331.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/CP_AHMMV_20-11-1929_-A-pedra-fundamental-da-capela-do-Divino-p08_w-396x1220.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/CP_AHMMV_20-11-1929_-A-pedra-fundamental-da-capela-do-Divino-p08_w-660x2034.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/CP_AHMMV_20-11-1929_-A-pedra-fundamental-da-capela-do-Divino-p08_w-71x220.jpg 71w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/CP_AHMMV_20-11-1929_-A-pedra-fundamental-da-capela-do-Divino-p08_w-scaled.jpg 831w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5491\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;A pedra fundamental da capela do Divino&#8230;&#8221; <em>Correio do Povo<\/em>, 20\/11\/1929, p. 8. Hemeroteca do Arquivo Hist\u00f3rico Municipal Moys\u00e9s Vellinho.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/h3>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <em>Correio do Povo<\/em>, 20\/11\/1929, p. 8. Hemeroteca do Arquivo Hist\u00f3rico Municipal Moys\u00e9s Vellinho. A grafia original foi mantida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; No final da d\u00e9cada de 1920 corria a todo o vapor a demoli\u00e7\u00e3o da antiga igreja Matriz, que remonta aos primeiros tempos da forma\u00e7\u00e3o da cidade, e da pequena capela do Divino Esp\u00edrito Santo, que ficava ao seu lado. 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