{"id":5399,"date":"2023-09-27T19:00:33","date_gmt":"2023-09-27T22:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/?p=5399"},"modified":"2023-11-09T16:32:26","modified_gmt":"2023-11-09T19:32:26","slug":"o-contraste-entre-os-novos-panoramas-e-os-aspectos-que-enfeiam-a-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/o-contraste-entre-os-novos-panoramas-e-os-aspectos-que-enfeiam-a-cidade\/","title":{"rendered":"&#8220;O contraste entre os novos panoramas e os aspectos que enfeiam a cidade&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 novidade que as cidades tem \u00e1reas que recebem mais melhorias e investimentos que outras, e em Porto Alegre isso n\u00e3o foi diferente. No meio da febre de grandes reformas urbanas ent\u00e3o, o contraste entre o atual centro hist\u00f3rico e os bairros mais afastados ficava ainda mais acentuado. Como sempre, as \u00e1reas mais long\u00ednquas do centro s\u00e3o as \u00faltimas a receberem as benfeitorias de infra-estrutura que caracterizam o solo urbanizado, tais como ilumina\u00e7\u00e3o, saneamento, recolhimento de lixo e transporte, entre outras. E o atendo jornalista do <em>Correio do Povo <\/em>aponta essa desigualdade:<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<h1><strong>\u201cO contraste entre os novos panoramas e os aspectos que enfeiam a cidade<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/strong><\/h1>\n<h3><strong>Esplendor e pobreza \u2013 Notas deformadoras na obra do embelezamento urbano \u2013 O centro e os arrabaldes<\/strong><\/h3>\n<p>Porto Alegre, no surto do seu vertiginoso desenvolvimento, apresenta quadros curios\u00edssimos. Em toda a cidade que atravessa uma phase de intensa e accelerada remodela\u00e7\u00e3o, ocorre o phenomeno resultante do contraste entre os novos panoramas e os aspectos tradicionaes. \u00c9 o conflito entre o passado, que permanece, e a evolu\u00e7\u00e3o, que tudo transforma. Sente-se essa f\u00f3rma de dualidade a cada passo, no imprevisto das esquinas, nos quarteir\u00f5es do centro, nos arrabaldes mais distantes. Dir-se-ia que, resistindo \u00e1s for\u00e7as avassalantes do progresso, \u00e1 lei implac\u00e1vel da transforma\u00e7\u00e3o, a alma da cidade velha obstina-se em fluctuar, aqui e ali, sobre todo o esplendor da cidade moderna.<\/p>\n<h3><strong>Outros aspectos da evolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 somente esse contraste viv\u00edssimo entre os escombros da capital provinciana e o brilho da metr\u00f3pole de hoje que nos surpreende os olhos e o espirito, no processo da expans\u00e3o urban\u00edstica de Porto Alegre. Existe e existir\u00e1 sempre, ainda nos aglomerados urbanos mais sens\u00edveis \u00e1 obra modificadora da civiliza\u00e7\u00e3o, uma perspectiva hist\u00f3rica, o do tumulto renovador, em meio de todas as for\u00e7as desencadeadas pelo progresso, &#8211; eis uma das maiores exig\u00eancias do urbanismo.<\/p>\n<p>Diziamos que n\u00e3o somente o antagonismo entre as express\u00f5es remanescentes de Porto Alegre de outr\u2019ora e a pompa decorativa da metr\u00f3pole actual nos surpreende aqui. Sob outro aspecto, a nossa cidade surge aos olhos do urbanita. Referimo-nos \u00e1s \u2018manchas\u2019 que os servi\u00e7os de embellezamento v\u00e3o deixando em muitos pontos, talvez pela impossibilidade de se executar de golpe todo o plano remodelador, talvez por certa indiferen\u00e7a dos poderes p\u00fablicos.<\/p>\n<h3><strong>Do centro para o arrabalde<\/strong><\/h3>\n<p>Fa\u00e7amos, para illustra\u00e7\u00e3o destas observa\u00e7\u00f5es, um ligeiro passeio, com os leitores que nos quiserem acompanhar. Comecemos pelo centro, pelas arterias onde circula plethoricamente a vida de uma collectividade de 300 mil habitantes. Aqui tudo nos maravilha, uma festa de c\u00f4r, de linhas, de f\u00f3rmas. Arranha-c\u00e9os, o arranha-c\u00e9o do Brasil, bem diferente do americano, em que se reflecte o frenesi da altura, a fome dos espa\u00e7os azues.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Ruas admiravelmente cal\u00e7adas. Lojas opulentas, com faiscantes vitrinas. Automoveis que rolam maciamente. O borborinho humano dos passeios, das confeitarias, dos bares, das casas de ch\u00e1<\/strong>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Por toda a parte, em suma, o espet\u00e1culo amavel da civiliza\u00e7\u00e3o. Disparemos, no emtanto, alguns minutos, para os bairros mais remotos, para as zonas perif\u00e9ricas de Porto Alegre. Encontraremos lindas vivendas, chal\u00e9s encantadores. E encontraremos, principalmente, trechos de ruas pobres que destoam do conjuncto gracioso e p\u00f5em uma nota de fealdade na obra embellezadora &nbsp;de Porto Alegre.<\/p>\n<blockquote><p><strong>A cidade que rejuvenesce conserva chagas terr\u00edveis: s\u00e3o as ruas esburacadas do Parthenon, de S. Jo\u00e3o e Navegantes. S\u00e3o as aguas paradas que reflectem, junto dos passeios, a silhueta do transeunte ou o perfil \u00e1gil do garoto que passa. Ellas contaminam o ar com suas emana\u00e7\u00f5es pestilenciaes. Nesses po\u00e7os de agua esverdeada os sapos se agglomeram em col\u00f4nias algazarrentas. Constituem, portanto, perigosos viveiros de mosquitos.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>O turista que, deslumbrado com a belleza da cidade, na \u00e1rea das suas construc\u00e7\u00f5es monumentais, mergulha, de chofre, nas ruas pobres e abandonadas de certos arrabaldes, tem logo a impress\u00e3o mais desconcertante poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Infelizmente, \u00e9 assim, a cidade, na sua febre de remodelamento, paga um triste tributo \u00e1s contingencias de todo o esfor\u00e7o humano. Porque, sendo esplendidamente bella, ainda consegue ser contemporaneamente desgraciosa, nos bairros onde n\u00e3o chega ainda a for\u00e7a irresist\u00edvel do progresso. Opulencia e pobreza&#8230;\u201d.<\/p>\n<p><em>Autoria desconhecida.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_5400\" aria-describedby=\"caption-attachment-5400\" style=\"width: 616px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/CP_AHMMV_11-01-1931_O-contraste-entre-os-novos-panoramas-p10_w-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5400 size-large\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/CP_AHMMV_11-01-1931_O-contraste-entre-os-novos-panoramas-p10_w-616x1024.jpg\" alt=\"&quot;O contraste entre os novos panoramas&quot;. Correio do Povo, 11\/01\/1931, p. 10. Hemeroteca do Arquivo Hist\u00f3rico Municipal Moys\u00e9s Vellinho. \" width=\"616\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/CP_AHMMV_11-01-1931_O-contraste-entre-os-novos-panoramas-p10_w-616x1024.jpg 616w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/CP_AHMMV_11-01-1931_O-contraste-entre-os-novos-panoramas-p10_w-181x300.jpg 181w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/CP_AHMMV_11-01-1931_O-contraste-entre-os-novos-panoramas-p10_w-768x1276.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/CP_AHMMV_11-01-1931_O-contraste-entre-os-novos-panoramas-p10_w-924x1536.jpg 924w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/CP_AHMMV_11-01-1931_O-contraste-entre-os-novos-panoramas-p10_w-1232x2048.jpg 1232w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/CP_AHMMV_11-01-1931_O-contraste-entre-os-novos-panoramas-p10_w-6x10.jpg 6w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/CP_AHMMV_11-01-1931_O-contraste-entre-os-novos-panoramas-p10_w-432x718.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/CP_AHMMV_11-01-1931_O-contraste-entre-os-novos-panoramas-p10_w-396x658.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/CP_AHMMV_11-01-1931_O-contraste-entre-os-novos-panoramas-p10_w-1120x1861.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/CP_AHMMV_11-01-1931_O-contraste-entre-os-novos-panoramas-p10_w-660x1097.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/CP_AHMMV_11-01-1931_O-contraste-entre-os-novos-panoramas-p10_w-132x220.jpg 132w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/CP_AHMMV_11-01-1931_O-contraste-entre-os-novos-panoramas-p10_w-scaled.jpg 1540w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5400\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;O contraste entre os novos panoramas&#8221;. Correio do Povo, 11\/01\/1931, p. 10. Hemeroteca do Arquivo Hist\u00f3rico Municipal Moys\u00e9s Vellinho.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/h3>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <em>Correio do Povo<\/em>, 11\/01\/1931, p. 10. Hemeroteca do Arquivo Hist\u00f3rico Municipal Moys\u00e9s Vellinho. A grafia original foi mantida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 novidade que as cidades tem \u00e1reas que recebem mais melhorias e investimentos que outras, e em Porto Alegre isso n\u00e3o foi diferente. No meio da febre de grandes reformas urbanas ent\u00e3o, o contraste entre o atual centro hist\u00f3rico e os bairros mais afastados ficava ainda mais acentuado. 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