{"id":4900,"date":"2023-04-03T20:00:57","date_gmt":"2023-04-03T23:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/?p=4900"},"modified":"2023-04-03T20:29:16","modified_gmt":"2023-04-03T23:29:16","slug":"o-clube-dos-alegres-cacadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/o-clube-dos-alegres-cacadores\/","title":{"rendered":"&#8220;O clube dos alegres ca\u00e7adores&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Em seu livro de mem\u00f3rias&nbsp;<em>O Grupo: outras figuras &#8211; outras paisagens<\/em>, o jornalista Paulo de Gouv\u00eaa traz uma descri\u00e7\u00e3o detalhada das sociabilidades que tinham lugar no famoso Clube dos Ca\u00e7adores, o mais famoso e luxuoso cabar\u00e9 de Porto Alegre nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Centro de divers\u00f5es destinado exclusivamente aos homens, o Clube dos Ca\u00e7adores possu\u00eda restaurante fino, empregava diversos artistas da m\u00fasica e da dan\u00e7a, tinha sal\u00f5es de jogos e, \u00e9 claro, era provavelmente servido pelas redes internacionais de tr\u00e1fico de mulheres, como a passagem a respeito da origem das suas frequentadoras indica.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de seus cong\u00eaneres mais pobres, o \u201cCa\u00e7adores\u201d acolhia figuras pol\u00edticas de proje\u00e7\u00e3o nacional, bem como jornalistas, artistas e escritores. Talvez por isso tenha passado sossegado tantos anos no cora\u00e7\u00e3o da cidade, na antiga rua Nova, ou a atual General Andrade Neves.<\/p>\n<h2><strong>\u201cO clube dos alegres ca\u00e7adores<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/strong><\/h2>\n<p>Era o Clube dos Ca\u00e7adores, famoso em todo o Brasil e muito conhecido em Montevid\u00e9u e Buenos Aires.<\/p>\n<p>Esse t\u00edtulo de \u2018clube\u2019 \u00e9 puro eufemismo. Porque o \u2018Ca\u00e7adores\u2019, tal como o Marly, o Royal e outros de menor categoria, era um cabar\u00e9, se \u00e9 que as gera\u00e7\u00f5es mais novas ainda conhecem tal termo. Como a pudibunda moral provinciana da \u00e9poca ficaria chocada pela crueza da horr\u00edvel palavra, houve apela\u00e7\u00e3o para a sinon\u00edmia. Da\u00ed, cabar\u00e9 ser chamado de clube, da mesma maneira que pens\u00e3o de mulheres era \u2018maternidade\u2019. Concess\u00f5es naturais \u00e0 casmurrice dos eternos envergonhados.<\/p>\n<p>O Clube ficava na Rua Andrade Neves, hoje sede de uma sociedade esp\u00edrita, mais uma prova de como o destino das coisas, como o dos homens, gosta de fazer suas picardias.<\/p>\n<p>A frequ\u00eancia era das mais finas: muitos pol\u00edticos, deputados e ricos fazendeiros do interior. Para estes, era ponto de honra a visita. N\u00e3o podiam chegar aos pagos e ficar desmoralizados perante os amigos ao confessar a absurda omiss\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o estiveste nos Ca\u00e7adores, tch\u00ea? Mas que barbaridade! Ent\u00e3o, o que \u00e9 que foste fazer em Porto Alegre?<\/p>\n<p>A\u00ed est\u00e1: vir \u00e0 capital e n\u00e3o dar as presen\u00e7as no cabar\u00e9 tirava qualquer justificativa \u00e0 viagem, por mais importante que ela fosse. Por a\u00ed voc\u00eas v\u00eaem como o neg\u00f3cio era s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Afora os \u2018vips\u2019, havia outros frequentadores de menos dinheiro, mas que o emproado porteiro julgava dignos de ombrearem com os ditos. Muitos homens de jornal, ap\u00f3s o estirado plant\u00e3o da noite, tocavam-se para l\u00e1. E tamb\u00e9m quando n\u00e3o davam plant\u00e3o.<\/p>\n<p>Havia a sala da roleta e a do \u2018bacarat\u2019, sempre cheias, fichas rolando como \u00e1gua em correnteza e a voz dos \u2018croupiers\u2019, monoc\u00f3rdia e disciplinada, alertando os jogadores e indicando onde ca\u00edra a indisciplinada bolinha: n\u00famero, cor, par ou \u00edmpar. Ou, ent\u00e3o: \u2018nove, ganhou a banca\u2019. Das salas do jogo passava-se por uma larga porta para o ponto real de atra\u00e7\u00e3o e prest\u00edgio dos Ca\u00e7adores: o grande sal\u00e3o, rebrilhando de luzes, com a pista de dan\u00e7a ao centro e, \u00e0 direita, o estrado com a orquestra regida pelo maestro Roberto Eggers, tudo cercado pelas mesas onde os gar\u00e7ons muito sol\u00edcitos \u2013 onde a gorjeta era boa \u2013 serviam as bebidas. Nas mesas junto \u00e0s paredes, sempre masculinamente escoltadas, sentavam-se as artistas e as bailarinas do sal\u00e3o. Lote muito bem selecionado. V\u00e1rias proced\u00eancias e v\u00e1rias nacionalidades \u2013 espanholas, francesas, italianas, eslavas, castelhanas e algumas pratas da casa. Seus nomes entremostravam o pa\u00eds de origem. Vejam estes: La Paraguaya (elementar, meu caro Watson), Irm\u00e3s Mayerenski, Ratoncito, Perla Volak, Trisca, Hermanas Iris&#8230;<\/p>\n<figure id=\"attachment_4902\" aria-describedby=\"caption-attachment-4902\" style=\"width: 651px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A_Mascara_BNDigital_Edicao00005_1920_Club-dos-Cacadores-p04-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-4902\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A_Mascara_BNDigital_Edicao00005_1920_Club-dos-Cacadores-p04-651x1024.jpg\" alt=\"An\u00fancio do Clube dos Ca\u00e7adores. Revista &quot;A M\u00e1scara&quot;, BNDigital, Ed00005, 1920, p. 4.\" width=\"651\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A_Mascara_BNDigital_Edicao00005_1920_Club-dos-Cacadores-p04-651x1024.jpg 651w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A_Mascara_BNDigital_Edicao00005_1920_Club-dos-Cacadores-p04-191x300.jpg 191w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A_Mascara_BNDigital_Edicao00005_1920_Club-dos-Cacadores-p04-768x1207.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A_Mascara_BNDigital_Edicao00005_1920_Club-dos-Cacadores-p04-977x1536.jpg 977w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A_Mascara_BNDigital_Edicao00005_1920_Club-dos-Cacadores-p04-1303x2048.jpg 1303w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A_Mascara_BNDigital_Edicao00005_1920_Club-dos-Cacadores-p04-6x10.jpg 6w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A_Mascara_BNDigital_Edicao00005_1920_Club-dos-Cacadores-p04-432x679.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A_Mascara_BNDigital_Edicao00005_1920_Club-dos-Cacadores-p04-396x623.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A_Mascara_BNDigital_Edicao00005_1920_Club-dos-Cacadores-p04-1120x1761.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A_Mascara_BNDigital_Edicao00005_1920_Club-dos-Cacadores-p04-660x1038.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A_Mascara_BNDigital_Edicao00005_1920_Club-dos-Cacadores-p04-140x220.jpg 140w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/A_Mascara_BNDigital_Edicao00005_1920_Club-dos-Cacadores-p04-scaled.jpg 1628w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4902\" class=\"wp-caption-text\">An\u00fancio do Clube dos Ca\u00e7adores. Revista &#8220;A M\u00e1scara&#8221;, BNDigital, Ed00005, 1920, p. 4.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Estas Irm\u00e3s Iris eram ricas. Solit\u00e1rios chaveiros, braceletes, an\u00e9is e brincos que as enfeitavam irradiavam chamas multicores \u00e0 luz forte dos lustres e dos refletores. Enquanto suas companheiras tinham quartos na pens\u00e3o da Ninetta Chuderoni (ex-atriz de opereta que n\u00e3o fugiu, como nenhuma delas foge, \u00e0 sina de \u2018mamita\u2019 no fim da vida), las Hermanas tinham casa pr\u00f3pria. (Dado o g\u00eanero de atividades desenvolvidas por suas ocupantes, devia chamar-se casa impr\u00f3pria. Mas \u00e9 assim que se usa dizer).<\/p>\n<p>O not\u00e1vel nas rela\u00e7\u00f5es de todas essas acess\u00edveis e simp\u00e1ticas criaturas, que Guido da Verona \u2013 \u2018Mimi Bluette fiore del mio giardino\u2019 \u2013 chamava de \u2018sorelline buone della mia giovent\u00f9\u2019 \u2013 era a maneira cheia de fricotes com que os coron\u00e9is (alguns) e os gigol\u00f4s (todos) as tratavam; beijavam-lhes as m\u00e3os, fazendo leve e fidalga curvatura, como se fossem aut\u00eanticas princesas. E depois iam dormir com elas.<\/p>\n<p>O sal\u00e3o tinha sua parte art\u00edstica sob o comando do \u2018cabaretier\u2019 Leopoldis. Alinhad\u00e3o, metido no \u2018smoking\u2019 bem talhado, de quando em vez suspendia o embalo da orquestra, batendo palmas para anunciar a artista ou dan\u00e7ar. Os pares docilmente voltavam a seus lugares, a orquestra voltava a funcionar e a cantora tamb\u00e9m. Palmas, muitas palmas. Depois, as dan\u00e7as na pista, outra vez. Isso se repetia, noite por noite, sem maiores varia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Leopoldis, como todo cabaretier de alta linhagem, fazia as apresenta\u00e7\u00f5es em franc\u00eas. Franc\u00eas macarr\u00f4nico, mas franc\u00eas. (Ele era italiano). E sua macarronice brilhou inteira na apresenta\u00e7\u00e3o do \u00fanico artista homem que se viu trabalhar no Clube em muitos anos. Grandalh\u00e3o de dois andares, com uma voz de p\u00f4r abaixo os muros de Jeric\u00f3, o tenor Francisconi se viu mal para n\u00e3o perder a linha, pois a cabe\u00e7a grudava-se no teto do pequeno palco.<\/p>\n<p>Leopoldis bateu palmas e, feito o sil\u00eancio \u2013 que n\u00e3o chamo de sil\u00eancio religioso dadas as circunst\u00e2ncias e o local \u2013 mandou no seu franc\u00eas de araque:<\/p>\n<p>&#8211; Messieurs et mesdames. J\u2019a\u00ed le plaisir de vous pr\u00e9senter le grand \u2018teneur\u2019 Francisconi&#8230;<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o sabia que tenor, em franc\u00eas, \u00e9 tenor mesmo. \u2018Teneur\u2019 \u00e9 coisa muito diferente.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o de Francisconi na lista de cach\u00eas se deveu \u00e0 generosidade do dono da casa, Luiz Alves de Castro \u2013 o famoso Lulu dos Ca\u00e7adores, ali\u00e1s, pr\u00f3digo em tal pr\u00e1tica. Chegara o gring\u00e3o a Porto Alegre e n\u00e3o conseguira um s\u00f3 contrato. Ficou sem dinheiro at\u00e9 para o caf\u00e9 da manh\u00e3. Atordoado, foi bater \u00e0s portas acolhedoras do dono dos Ca\u00e7adores que, com pena dele, mandou-o cantar por uma temporada. Foi a salva\u00e7\u00e3o do grande \u2018teneur\u2019.<\/p>\n<p>Luiz Alves de Castro tinha um fraco pelas rodas de gente importante. Babava-se todo quando, uma vez que outra, tinha a suprema ventura de passear na Rua da Praia ao lado de um ou de uns ilustres figurantes da Pol\u00edtica e outros mand\u00f5es.<\/p>\n<p>Era a sua hora de gl\u00f3ria, embora dissessem os maldizentes que ela custava um bocado de dinheiro ao Lulu. \u00c9 que os ilustres senhores que o honravam publicamente com a sua ilustre companhia nunca se lembravam de pagar os polpudos vales que assinavam em troca das fichas de jogo. Caso evidente de amn\u00e9sia, j\u00e1 se percebe.<\/p>\n<p>Veio depois a Revolu\u00e7\u00e3o que levou Get\u00falio ao poder. Novos tempos, nova gente, novos costumes. Lulu encontrou uma chance de brilhar a seu modo na Capital da Rep\u00fablica. Tomou conta do Cassino da Urca (A, E, I, O, Urca&#8230;) e deixou-se ficar na Cidade Maravilhosa. Muitos anos depois, veio a morrer, como morreu seu Clube, hoje transformado em seu inesperado ant\u00edpoda, cheio de preces, passes e receitas homeop\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Sic transit gloria mundi. O que \u00e9 uma verdade, tanto em latim como em portugu\u00eas.\u201d<\/p>\n<p>Leia mais sobre o Club dos Ca\u00e7adores <strong><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/2020\/11\/19\/o-clube-dos-cacadores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a><\/strong>.<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/h3>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> GOUV\u00caA, Paulo de. <em>O grupo; outras figuras \u2013 outras paisagens<\/em>. Porto Alegre: Movimento\/Instituto Estadual do Livro, 1976. P. 104-106.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em seu livro de mem\u00f3rias&nbsp;O Grupo: outras figuras &#8211; outras paisagens, o jornalista Paulo de Gouv\u00eaa traz uma descri\u00e7\u00e3o detalhada das sociabilidades que tinham lugar no famoso Clube dos Ca\u00e7adores, o mais famoso e luxuoso cabar\u00e9 de Porto Alegre nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX. Centro de divers\u00f5es destinado exclusivamente aos homens, o Clube dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4902,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[349],"tags":[30,288,346,345,306,290,344,347,62,264,265],"class_list":["post-4900","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidade","tag-cabares","tag-clubedoscacadores","tag-jogo","tag-luludoscacadores","tag-memoria","tag-musica","tag-paulodegouvea","tag-portoalegrenoturna","tag-prostituicao","tag-ruaandradeneves","tag-ruanova","entry-image--portrait"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4900","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4900"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4900\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5781,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4900\/revisions\/5781"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4902"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4900"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4900"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4900"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}