{"id":4829,"date":"2021-05-13T11:49:25","date_gmt":"2021-05-13T14:49:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/?p=4829"},"modified":"2021-05-25T11:42:16","modified_gmt":"2021-05-25T14:42:16","slug":"vidas-anonymas-a-roda-dos-expostos-da-santa-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/vidas-anonymas-a-roda-dos-expostos-da-santa-casa\/","title":{"rendered":"&#8220;Vidas anonymas&#8221;: a roda dos expostos da Santa Casa"},"content":{"rendered":"<p>Se, por um lado, a vida das mulheres era especialmente dura nas cidades como Porto Alegre, por outro a Santa Casa de Miseric\u00f3rdia, estabelecida ainda nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX, durante mais de um s\u00e9culo acolheu os pobres e desvalidos, inclusive aqueles que rec\u00e9m nasciam.<\/p>\n<p>A <em>roda dos expostos<\/em>, cuja instala\u00e7\u00e3o era uma medida para salvar crian\u00e7as nascidas na mis\u00e9ria ou frutos de crimes ou romances inconfess\u00e1veis, esteve sempre presente na vida da cidade. Gra\u00e7as a ela, muitas meninas e meninos conseguiam salvar-se da morte certa, atendidos pelas Irm\u00e3s da Caridade da Santa Casa. Neste artigo do <em>Correio do Povo <\/em>de 23\/4\/1929, o autor discute as causas e consequ\u00eancias deste abandono na inf\u00e2ncia, e destaca que, no ano antecedente, apenas tr\u00eas crian\u00e7as haviam sido a\u00ed deixadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o apenas a cidade se modernizava, mas a ind\u00fastria farmac\u00eautica incipiente tamb\u00e9m modernizava os m\u00e9todos contraceptivos dispon\u00edveis.<\/p>\n<h2><strong>\u201cVidas anonymas<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/strong><\/h2>\n<p><strong>Os parias \u2013 Quantas crian\u00e7as abandonadas v\u00e3o trilhar, amanh\u00e3, a senda do crime e do vicio? \u2013 E de quem a responsabilidade? \u2013 Uma roda que \u00e9 como a roda da vida \u2013 Que \u00e9 feito dos infelizes engeitados? \u2013 O destino das crian\u00e7as que a miseria ou algum romance inconfessavel levam \u00e1 \u2018roda dos expostos\u2019 \u2013 Notas curiosas<\/strong><\/p>\n<p><strong>Durante o anno passado s\u00f3 tres crian\u00e7as foram deixadas na triste roda da Santa Casa de Misericordia<\/strong><\/p>\n<p>Os p\u00e1rias&#8230;<\/p>\n<p>Ha muito a literatura tomou-se de christianissima piedade pelos desherdados, pelos infelizes que atravessam a rude estrada da vida sem conhecer um lar, sem sentir o balsamo benefico do aconchego materno, sem ter, na alma deserta, que o tempo torna esteril e safara<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> a semente fecunda dos altos e melhores sentimentos que s\u00f3 o carinho da familia \u00e9 capaz de florescer e fructificar.<\/p>\n<p>Os p\u00e1rias&#8230;<\/p>\n<p>Quantas vezes, diante de um criminoso, de um contraventor, de um vagabundo, n\u00e3o nos revoltamos, sem saber que esse transgressor da lei podia estar hoje num nivel \u00e0 altura do nosso si n\u00e3o houvesse sido abandonado quando o seu pequeno cora\u00e7\u00e3o e a sua alma tenra estavam em condi\u00f5es de soffrer o milagre dos conselhos uteis, o influxo de uma educa\u00e7\u00e3o moral, o exemplo de uma vida pura!<\/p>\n<p>Os p\u00e1rias!<\/p>\n<p>Nem sempre os desgra\u00e7ados que comparecem \u00e1 barra do Tribunal devem aos seus instinctos perversos os crimes por que v\u00e3o responder. \u00c1s vezes, os unicos responsaveis por esse doloroso desvio s\u00e3o os paes, creaturas desnaturadas, que lan\u00e7am ao acaso da vida, sem sempre boa conselheira, pobres pequenos s\u00eares, em cujo cerebro e em cujo cora\u00e7\u00e3o s\u00f3 a semente do mal vae cahir.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4833\" aria-describedby=\"caption-attachment-4833\" style=\"width: 220px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_01_w.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-4833\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_01_w-220x300.jpg\" alt=\"&quot;Vista geral da Santa Casa&quot;. Correio do Povo, 23\/4\/1929, p. 5. Hemeroteca do AHMMV.\" width=\"220\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_01_w-220x300.jpg 220w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_01_w-751x1024.jpg 751w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_01_w-768x1048.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_01_w-7x10.jpg 7w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_01_w-432x589.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_01_w-396x540.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_01_w-660x900.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_01_w-161x220.jpg 161w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_01_w.jpg 980w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4833\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Vista geral da Santa Casa&#8221;. <em>Correio do Povo<\/em>, 23\/4\/1929, p. 5. Hemeroteca do AHMMV.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Miseria<\/strong><\/h3>\n<p>\u00c9 bem certo que \u00e1s vezes \u00e9 a miseria a ultima responsavel.<\/p>\n<p>Quem conhece os labirynthos que a desgra\u00e7a crea nas cidades, sabe a que extremos s\u00e3o, muitas vezes, arrastados os pobres farrapos humanos, que s\u00e3o os homens, quando batidos pela tempestade das grandes desventuras.<\/p>\n<h3><strong>Um quadro angustioso<\/strong><\/h3>\n<p>Noite.<\/p>\n<p>O frio cae do firmamento escuro, em que as estrellas s\u00e3o como fl\u00f3cos de neve tocados por um ultimo raio de sol morrente.<\/p>\n<p>Dentro de casa, uma vivenda confortavel, em redor da mesa illuminada, a familia, feliz, faz um alegre ser\u00e3o, sem pensar nos que, \u00e1quella hora, dormem transidos de fome e de frio, nos desv\u00e3os de uma porta.<\/p>\n<p>Subito, um ch\u00f4ro de crian\u00e7a. Um ch\u00f4ro fraco.<\/p>\n<p>De onde vir\u00e1?<\/p>\n<p>Ergue-se a familia, que se dirige para a porta da rua de onde vem aquelle ch\u00f4ro extranho.<\/p>\n<p>E ali, junto da escada, uma pequena trouxa, da qual duas m\u00e3ositas roseas saem e se agitam.<\/p>\n<p>Acercam-se todos.<\/p>\n<p>\u00c9 uma trouxa feita de velhos trapos.<\/p>\n<p>Dentro della uma criancinha quasi arroexada, magrinha, de poucos dias.<\/p>\n<p>E, agasalando-se do ar gelado que vem da rua, todos se perguntam, attonitos, incredulos:<\/p>\n<p>&#8211; Mas, ha, no mundo, uma m\u00e3e ou um pae capaz de abandonar um filhinho junto da escada de uma casa desconhecida?<\/p>\n<h3><strong>A vida<\/strong><\/h3>\n<p>Esse episodio, que parece o prologo de um romance barato, em que um engeitado, pelas suas qualidades conquista, depois de homem, desde o amor de uma condessa \u00e1s mais brilhantes situa\u00e7\u00f5es na sociedade, nada mais \u00e9 do que uma das scenas mais profundamente crueis que a vida prodigalisa \u00e1s grandes cidades.<\/p>\n<p>Por que foi abandonado esse pequeno s\u00ear?<\/p>\n<p>Por pura monstruosidade de seus paes, cujos instinctos inferiores nem aos das f\u00e9ras p\u00f3dem ser comparados?<\/p>\n<p>Para esconder um crime, o fructo de um amor peccaminoso?<\/p>\n<p>Por miseria? Por que a m\u00e3e daquelle innocentiho nem o que comer tem?<\/p>\n<p>V\u00e3o l\u00e1 saber!<\/p>\n<p>A vida tem uma imagina\u00e7\u00e3o t\u00e3o rica para o frama e para a desgra\u00e7a!&#8230;<\/p>\n<p>Entretanto, o que \u00e9 certo, \u00e9 que a maioria dos engeitados deve a sua tristissima condi\u00e7\u00e3o \u00e1 miseria. E neste caso, com que angustia no cora\u00e7\u00e3o, com que lagrimas de fogo nos olhos pisados aquella pobre m\u00e3e n\u00e3o abandonou, talvez para sempre, aquella creaturinha, que, por momentos, foi toda a esperan\u00e7a da sua vida?<\/p>\n<p>Nem todas as m\u00e3es tem aquella energia \u2013 ou aquella covardia \u2013 da protagonista da \u2018Dor Suprema\u2019, que fugiu \u00e1 vida asphyxiando-se com os seus proprios filhinhos no quarto onde s\u00f3 a miseria e desventura imperavam&#8230;<\/p>\n<h3><strong>A triste roda<\/strong><\/h3>\n<p>Foi por isso que a piedade dos homens creou a \u2018roda dos expostos\u2019, aquella tristissima roda que \u00e9 como a roda da vida, que, num simples girar para a direita ou para a esquerda, gira, tambem, o destino de um homem.<\/p>\n<p>Ali, ao menos, uma pobre m\u00e3e sabe que o seu filhinho ser\u00e1 recolhido, ter\u00e1 um tecto e poder\u00e1 crescer, ao passo que sobre a relva de um canteiro ou ao canto de uma porta talvez nem amanhe\u00e7a, levado pelo frio impiedoso.<\/p>\n<p>Nem todos, por\u00e9m, sabem ao certo o que vem a ser a roda dos expostos.<\/p>\n<p>Quem, entretanto, ao passar pela Santa Casa n\u00e3o sentir a curiosidade de olhar, de examinar aquella pequena abertura rectangular na janella de grandes e por tr\u00e1s da qual, a grande roda que gira j\u00e1 levou tantos desherdados e tantos p\u00e1rias.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4832\" aria-describedby=\"caption-attachment-4832\" style=\"width: 214px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_02_w.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4832 size-medium\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_02_w-214x300.jpg\" alt=\"A roda dos expostos vista de fora. Correio do Povo, 23\/4\/1929, p. 5. Hemeroteca do AHMMV.\" width=\"214\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_02_w-214x300.jpg 214w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_02_w-731x1024.jpg 731w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_02_w-768x1077.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_02_w-7x10.jpg 7w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_02_w-432x606.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_02_w-396x555.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_02_w-660x925.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_02_w-157x220.jpg 157w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_detalhe_02_w.jpg 1043w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4832\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;A triste roda dos expostos vista de fora&#8221;. <em>Correio do Povo<\/em>, 23\/4\/1929, p. 5. Hemeroteca do AHMMV.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Que \u00e9 feito dos expostos?<\/strong><\/h3>\n<p>\u00c9 esta uma pergunta que occorre naturalmente.<\/p>\n<p>Que destino levam os desventurados a quem nem o direito de conhecer os proprios paes assiste?<\/p>\n<p>Ao ser collocado na roda o abandonado, uma campainha d\u00e1 signal. A roda, que \u00e9 de madeira e tem dois nichos, gira ao impulso da m\u00e3o de quem engeitou a crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Immediatamente, a irm\u00e3 de caridade, que nem o direito de conhecer aos proprios colhe o innocentinho e examina-o, com cuidados maternaes.<\/p>\n<p>Si est\u00e1 enfermo, \u00e9 levado para a enfermaria, onde fica aos cuidados de um especialista. Si est\u00e1 de saude e \u00e9 robusto, \u00e9 levado para a Maternidade, onde \u00e9 tratado com especial desvelo.<\/p>\n<p>Com vagar, a propria Santa Casa se encarrega de encontrar familia idonea, \u00e1 qual confia o engeitado.<\/p>\n<h3><strong>Notas curiosas<\/strong><\/h3>\n<p>A primeira crian\u00e7a engeitada recolhida pela Santa Casa, chamava-se Boaventura e foi exposta a 8 de mar\u00e7o de 1830, isto \u00e9, ha quasi cem annos.<\/p>\n<p>Era ent\u00e3o provedor da Santa Casa Manoel Jos\u00e9 de Freitas Travassos.<\/p>\n<p>Dahi para c\u00e1, a roda dos expostos girou tantas vezes!<\/p>\n<p>Ultimamente tem declinado de maneira extraordinaria os abandonos ali. Basta dizer que no anno passado s\u00f3 tres crian\u00e7as foram engeitadas ali. A ultima foi exposta no dia 28 de dezembro ultimo.<\/p>\n<h3><strong>Os engeitados<\/strong><\/h3>\n<p>Geralmente s\u00e3o abandonados na roda com a roupinha do corpo. Alguns, muito poucos, levam enxoval.<\/p>\n<p>Alguns s\u00e3o encontrados com bilhetes bastante expressivos.<\/p>\n<p>Este, por exemplo:<\/p>\n<p>\u2018Na Santa Casa de Misericordia uma obra de caridade por esta crian\u00e7a na orphandade das crian\u00e7as pobres, por falta de recursos o pae anda nas for\u00e7as dos assisistas<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> n\u00e3o sabe noticias delle si morreu por n\u00e3o ter alimento, nasceu 22-11-1923\u2019.<\/p>\n<p>Seguia-se o nome da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Ou este:<\/p>\n<p>\u2018Rogo pelo amor de Deus \u00e1s boas Irm\u00e3s Caridosas nunca tirar esta correntinha do pesco\u00e7o desta crian\u00e7a, para ser reconhecia em dia que possa ser. Nascido \u00e1s 4 1\/2 ; pede-se para chamar Raul\u2019.<\/p>\n<p>Alguns levam pedidos de outra natureza.<\/p>\n<p>Na sua maioria, os bilhetes rogam que a crian\u00e7a seja baptisada na Santa Casa.<\/p>\n<p>Uma houve que j\u00e1 veio com a indica\u00e7\u00e3o de quem devia ser convidado para padrinho\u201d.<\/p>\n<p><em>Autoria desconhecida.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_4831\" aria-describedby=\"caption-attachment-4831\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_completa_w.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-4831\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_completa_w-1024x625.jpg\" alt=\"&quot;Vidas anonymas&quot;. Correio do Povo, 23\/4\/1929, p. 5. Hemeroteca do AHMMV.\" width=\"660\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_completa_w-1024x625.jpg 1024w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_completa_w-300x183.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_completa_w-768x469.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_completa_w-1536x937.jpg 1536w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_completa_w-2048x1250.jpg 2048w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_completa_w-10x6.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_completa_w-432x264.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_completa_w-396x242.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_completa_w-1120x683.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_completa_w-660x403.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/CP_AHMMV_23-04-1929-Vidas-anonymas-p5_completa_w-361x220.jpg 361w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4831\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Vidas anonymas&#8221;. <em>Correio do Povo<\/em>, 23\/4\/1929, p. 5. Hemeroteca do AHMMV.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/h3>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <em>Correio do Povo<\/em>, 23\/4\/1929, p. 5. Hemeroteca do AHMMV. A grafia original foi mantida.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Deserta, pedregosa.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> As for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o ao Partido Republicano Riograndense, comandadas por Assis Brasil na revolta de 1923.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se, por um lado, a vida das mulheres era especialmente dura nas cidades como Porto Alegre, por outro a Santa Casa de Miseric\u00f3rdia, estabelecida ainda nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX, durante mais de um s\u00e9culo acolheu os pobres e desvalidos, inclusive aqueles que rec\u00e9m nasciam. A roda dos expostos, cuja instala\u00e7\u00e3o era uma medida [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4832,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[349],"tags":[292,35,36,48,230,322,320,321],"class_list":["post-4829","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidade","tag-assistenciapublica","tag-correiodopovo","tag-costumes","tag-imprensa","tag-infancia","tag-rodadosexpostos","tag-santacasa","tag-santacasademisericordia","entry-image--portrait"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4829","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4829"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4829\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5049,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4829\/revisions\/5049"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4832"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4829"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4829"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4829"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}