{"id":4568,"date":"2021-09-02T11:20:57","date_gmt":"2021-09-02T14:20:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/?p=4568"},"modified":"2021-09-02T11:21:53","modified_gmt":"2021-09-02T14:21:53","slug":"lama-e-furia-nas-obras-da-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/lama-e-furia-nas-obras-da-cidade\/","title":{"rendered":"Lama e f\u00faria nas obras da cidade"},"content":{"rendered":"<p>Esta curiosa reportagem fotogr\u00e1fica do <em>Correio do Povo<\/em>, de 7 de julho de 1927, d\u00e1 o retrato de uma cidade em plena moderniza\u00e7\u00e3o&#8230; paralisada. Naturalmente, j\u00e1 se esperava que as in\u00e9ditas e ambiciosas obras vi\u00e1rias, de moderniza\u00e7\u00e3o da infra-estrutura e higiene da cidade trariam grandes contratempos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Acrescente-se a isso uma paralisa\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria, em fun\u00e7\u00e3o do que provavelmente foi uma falta de recursos, e tem-se a receita para grande insatisfa\u00e7\u00e3o e transtorno. Assim reporta o jornal, ironizando a administra\u00e7\u00e3o municipal, \u00e0 \u00e9poca no comando de Ot\u00e1vio Rocha, pela incompet\u00eancia na gest\u00e3o de tantos canteiros de obras.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria traz uma fotografia impressionante, ainda que pouco n\u00edtida, do trecho sul da atual avenida Borges de Medeiros ainda com pr\u00e9dios demolidos e o desaterramento a meio caminho.<\/p>\n<p>No frio de um m\u00eas de julho, a lama onipresente deveria dar um aspecto desolador \u00e0 cidade&#8230;<\/p>\n<figure id=\"attachment_4570\" aria-describedby=\"caption-attachment-4570\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_07-07-1927_MCSHJC_w.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4570 size-large\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_07-07-1927_MCSHJC_w-1024x777.jpg\" alt=\"Correio do Povo, 07\/07\/1927. Hemeroteca do Museu de Comunica\u00e7\u00e3o Social Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa. A grafia original foi mantida.\" width=\"660\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_07-07-1927_MCSHJC_w-1024x777.jpg 1024w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_07-07-1927_MCSHJC_w-300x228.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_07-07-1927_MCSHJC_w-768x583.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_07-07-1927_MCSHJC_w-10x8.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_07-07-1927_MCSHJC_w-432x328.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_07-07-1927_MCSHJC_w-396x301.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_07-07-1927_MCSHJC_w-1120x850.jpg 1120w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_07-07-1927_MCSHJC_w-660x501.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_07-07-1927_MCSHJC_w-290x220.jpg 290w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_07-07-1927_MCSHJC_w.jpg 1532w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4570\" class=\"wp-caption-text\">Correio do Povo, 07\/07\/1927. Hemeroteca do Museu de Comunica\u00e7\u00e3o Social Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa. A grafia original foi mantida.<\/figcaption><\/figure>\n<h2><strong>\u201cAs graves consequencias da paralysa\u00e7\u00e3o das obras municipaes<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/strong><\/h2>\n<p>Em nossa edi\u00e7\u00e3o de sabbado ultimo, noticiando a paralysa\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os municipaes, fizemos uma rapida resenha dos differentes pontos, que mais soffreram com esse collapso administrativo.<\/p>\n<p>Voltamos, hoje, ao assumpto, uma vez feita segunda e mais demorada visita aos lugares abandonados, com dados photographicos, que illustram efficientemente as notas que abaixo registramos.<\/p>\n<p>Dessa inspec\u00e7\u00e3o, voltamos com a desoladora certeza do descalabro que isso significa para a propria economia municipal, j\u00e1 de si exhausta pelo esfor\u00e7o delirante de uma carreira \u00e0s cegas e a meio detida por absoluta carencia de recursos.<\/p>\n<h3><strong>Rua Coronel Fernando Machado<\/strong><\/h3>\n<p>Inici\u00e1mos os nossos servi\u00e7os de reportagem pela rua Coronel Fernando Machado, antiga do Arvoredo, na quadra comprehendida com o Lyceu. O leito da rua, baixado em varios metros, corta-se de fundos vallos, onde a lama e as po\u00e7as de agua morta tranquilamente reflectem o pittoresco das casas encarapitadas ao alto, plagiando velhas aquarelas de romance.<\/p>\n<blockquote><p>Ao lado direito, como a cal\u00e7ada fique a uns tres metros do leito da rua, foram encostadas escadas de madeira, por onde os transeuntes, depois de um arriscado jogo de gymnastica, chegam \u00e1 quadra seguinte.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ali, inverte-se a manobra: nova escada junto ao barranco de terra vermelha \u00e9 pouco aceado convite a uma ascen\u00e7\u00e3o penosa e, estheticamente, pouco recommendavel aos elegantes da zona.<\/p>\n<p>Enfim, depois desses s\u00e9rios percal\u00e7os e exerc\u00edcios plenamente dispens\u00e1veis, consegue o infortunado passante chegar a um trecho mais ou menos cal\u00e7ado, onde recupera as for\u00e7as perdidas no desgracioso exercicio de \u2018sobe e desce\u2019.<\/p>\n<p>Como a paralysa\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os naquelle movimentada rua depende do \u2018quando houver dinheiro\u2019, um gaiato qualquer lembrou-se de collocar nos barrancos vermelhos e vertiginosos, um annuncio reconfortador de ascensores publicos.<\/p>\n<p>E a id\u00e9ia n\u00e3o \u00e9 m\u00e1&#8230;<\/p>\n<figure id=\"attachment_4572\" aria-describedby=\"caption-attachment-4572\" style=\"width: 950px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Fernando-Machado.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4572\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Fernando-Machado.jpg\" alt=\"Obras na Fernando Machado. Correio do Povo, 07\/07\/1927. Hemeroteca do Museu de Comunica\u00e7\u00e3o Social Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa. \" width=\"950\" height=\"721\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Fernando-Machado.jpg 950w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Fernando-Machado-300x228.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Fernando-Machado-768x583.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Fernando-Machado-10x8.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Fernando-Machado-432x328.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Fernando-Machado-396x301.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Fernando-Machado-660x501.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Fernando-Machado-290x220.jpg 290w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4572\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;O actual estado da rua Coronel Fernando Machado, vendo-se a differen\u00e7a entre o nivel da cal\u00e7ada e o leito da rua&#8221;. <em>Correio do Povo<\/em>, 07\/07\/1927. Hemeroteca do Museu de Comunica\u00e7\u00e3o Social Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Avenida Borges de Medeiros<\/strong><\/h3>\n<p>Passamos, depois, ao inicio da avenida Borges de Medeiros: ali o aspecto n\u00e3o era mais risonho, a mesma lama irritante, as mesmas po\u00e7as d\u2019agua e ladeando-as, predios em ruinas, outros demolidos a meio.<\/p>\n<p>Duas quadras al\u00e9m, a perspectiva \u00e9 cortada por um novo e alt\u00edssimo barranco, encimado pela philosophia de um poste telephonico, contemplando serenamente o descalabro infeliz l\u00e1-baixo.<\/p>\n<blockquote><p>Porque a grande avenida que seria uma arteria de movimento e de vida, pomposamente assignalando o \u2018rapido desenvolvimento da nossa capital\u2019 n\u00e3o passa de um campo de lama e de ruinas, distinado [<em>sic<\/em>] a contar aos futuros a historia do sonho de megalomania, enterrado pelos proprios destro\u00e7os, \u00e1 espera do distante e pouco provavel \u2018surge et ambula\u2019 do messianismo administrativo.<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o importa que uma rua soffra uma interminavel syncope de transito: demolir \u00e9 hoje a mais suggestiva express\u00e3o de capacidade governamental&#8230;<\/p>\n<figure id=\"attachment_4573\" aria-describedby=\"caption-attachment-4573\" style=\"width: 950px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Borges_w.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4573\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Borges_w.jpg\" alt=\"Obras na Borges de Medeiros. Correio do Povo, 07\/07\/1927. 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Hemeroteca do Museu de Comunica\u00e7\u00e3o Social Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>A avenida da Azenha<\/strong><\/h3>\n<p>Mais al\u00e9m, a Azenha.<\/p>\n<p>Ali, tamb\u00e9m, era preciso que se fizesse sentir a for\u00e7a do \u2018progresso\u2019, e isso em se tratando de \u2018p\u00f4r abaixo\u2019 era de facil effectiva\u00e7\u00e3o. Novas demoli\u00e7\u00f5es: predios sem piedade derruidos e a rua da Azenha.. n\u00e3o ficou mais larga!<\/p>\n<p>Porque? Ora, para isso \u00e9 necessario que seu lado esquerdo fosse terraplenado inteiramente: \u00e9 verdade que a clarividencia edilicia cogitou brilhantemente disso: algumas carro\u00e7as de aterro foram despejadas no meio da varsea inculta.<\/p>\n<p>L\u00e1 ainda continua constituindo uma estradinha de pilheria, um caminho de ratos impagavel que vae desembocar grotescamente no forno do lixo.<\/p>\n<p>N\u00e3o importa! A rua da Azenha ser\u00e1 alargada, affirma-o solemnemente o porta-voz official.<\/p>\n<p>Isso deve bastar: n\u00e3o sejamos irreverentes, tentando enfeitar-nos com os attributos divinatorios.<\/p>\n<p>O futuro dil-o-\u00e1, mau grado a sua elasticidade em flagrante contraste com a paciencia precaria da popula\u00e7\u00e3o alarmada.<\/p>\n<h3><strong>O forno do lixo<\/strong><\/h3>\n<p>Falamos no Forno do Lixo e a elle temos que voltar em que pese o ingrato e explicaval mau odor do assumpto.<\/p>\n<p>A municipalidade, t\u00e3o prodiga em \u2018crea\u00e7\u00f5es\u2019, resolvera doar \u00e1 cidade um novo f\u00f4rno do lixo. O local escolhido foi a rua S\u00e3o Manoel. E embora fosse contra indicado a edifica\u00e7\u00e3o de t\u00e3o anti-hygienico monumento ao progresso, numa rua de movimento como aquella, a coisa ficou assente.<\/p>\n<p>As celebres carrocinhas descarregaram nos fundos da olaria, ali existente, varios metros cubicos de cascalho. Depois uma casa de madeira e prompto!<\/p>\n<p>O novo forno do lixo est\u00e1 \u00e1 espera de oportunidade.<\/p>\n<p>Reflexos, talvez, do governo federal com referencia \u00e1 concess\u00e3o da amnistia&#8230;<\/p>\n<h3><strong>A rua Independencia<\/strong><\/h3>\n<p>Da rua S\u00e3o Manoel, passamos para a Independencia. E uma coisa nos surprehendeu a curiosidade bisbilhoteira de reporters.<\/p>\n<p>Ao lado dos grandes e orgulhosos combustores de illumina\u00e7\u00e3o, militarmente atirados para o alto, havia uma flora\u00e7\u00e3o liliputiana e infantil de pinheirinhos.<\/p>\n<p>N\u00e3o conseguimos acertar o significado ornamental daquela originalidade:<\/p>\n<p>O dia de Natal anda t\u00e3o longe ainda!<\/p>\n<h3><strong> Jo\u00e3o \u2013 rua Moura Azevedo<\/strong><\/h3>\n<p>O frio impertinente punha-nos de mau humor, com o aggravante daquella visita \u00e1 nova Pompeia, que, esporadicamente, floria em pleno seculo vinte. Mas os cavacos do officio demandavam aquella perada de destrui\u00e7\u00e3o e havia muito para ver.<\/p>\n<p>E no caso, o photographo praguejante, fazia as vezes de Cyreneu com cruz e sem paciencia&#8230;<\/p>\n<p>Chegamos \u00e1 rua Moura Azevedo.<\/p>\n<p>Ali tomando uma extens\u00e3o de tres quadras, approximadamente, exhibia-se uma fila enternecedora de canos de cimento, cujo destino era a canalisa\u00e7\u00e3o das aguas, convergentes para aquella rua.<\/p>\n<p>Mas, segundo o exemplo de seus collegas de infortunio, aguardavam elles pacificamente a opportunidade distante.<\/p>\n<p>E quando ella chegar, novos canos ser\u00e3o necessarios, porque os de agora j\u00e1 ser\u00e3o prova provada daquelle rudimentar axioma de physica primaria \u2018&#8230;tudo se transforma\u2019.<\/p>\n<p>E na poeira das ruas p\u00f3de muito bem bailar a alma velhinha dos canos que \u2018j\u00e1 foram\u2019&#8230;<\/p>\n<figure id=\"attachment_4574\" aria-describedby=\"caption-attachment-4574\" style=\"width: 950px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Moura-Azevedo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4574\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Moura-Azevedo.jpg\" alt=\"Canos expostos na rua Moura Azevedo. Correio do Povo, 07\/07\/1927. Hemeroteca do Museu de Comunica\u00e7\u00e3o Social Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa. \" width=\"950\" height=\"860\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Moura-Azevedo.jpg 950w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Moura-Azevedo-300x272.jpg 300w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Moura-Azevedo-768x695.jpg 768w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Moura-Azevedo-10x10.jpg 10w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Moura-Azevedo-432x391.jpg 432w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Moura-Azevedo-396x358.jpg 396w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Moura-Azevedo-660x597.jpg 660w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-graves-consequencias-da-paralysa\u00e7\u00e3o_Correio-do-Povo_01-07-1927_MCSHJC_Moura-Azevedo-243x220.jpg 243w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4574\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;A longa fila de canos de cimento enfileirados ao longo da rua Moura Azevedo \u00e0 espera de &#8216;opportunidade&#8217;&#8230; <em>Correio do Povo<\/em>, 07\/07\/1927. Hemeroteca do Museu de Comunica\u00e7\u00e3o Social Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Voltamos ao centro. Deixamos por um momento aquella vis\u00e3o ingratissima de ruinas em sucess\u00e3o a novas duinas.<\/p>\n<p>Mas os fados adversos nos fizeram tomar a rua Riachuelo e na quadra seguinte \u00e1 rua Marechal Floriano, fomos deridos por novo aspecto da \u2018debacle\u2019 administrativa.<\/p>\n<p>Escandalosamente, a projectada avenida Julio de Castilhos repetia as scenas [&#8230;]res: barrancos, predios demolidos, lama&#8230; E tudo s\u00f3 dois passos da rua dos Andradas!<\/p>\n<p>Francamente, ao v\u00ear o ineditismo da nova P\u00f4rto Alegre tem que acorrer aos [&#8230;] abertos num grande \u2018oh\u2019 de admira\u00e7\u00e3o, essa pergunta [&#8230;] turista curioso e ingenuamente perverso.<\/p>\n<p>&#8211; Oh! senhores, o [&#8230;] mudou de residencia?\u201d<\/p>\n<p><em>Autoria desconhecida.<\/em><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Correio do Povo, 07\/07\/1927. Hemeroteca do Museu de Comunica\u00e7\u00e3o Social Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa. A grafia original foi mantida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta curiosa reportagem fotogr\u00e1fica do Correio do Povo, de 7 de julho de 1927, d\u00e1 o retrato de uma cidade em plena moderniza\u00e7\u00e3o&#8230; paralisada. Naturalmente, j\u00e1 se esperava que as in\u00e9ditas e ambiciosas obras vi\u00e1rias, de moderniza\u00e7\u00e3o da infra-estrutura e higiene da cidade trariam grandes contratempos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Acrescente-se a isso uma paralisa\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria, em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4573,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[349],"tags":[35,46,44,48,54,251,60,96,147,160,167],"class_list":["post-4568","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidade","tag-correiodopovo","tag-historiadeportoalegre","tag-historiaurbana","tag-imprensa","tag-modernizacao","tag-obrasmunicipais","tag-portoalegre","tag-borgesdemedeiros","tag-otaviorocha","tag-porto-alegre-antiga","tag-reformasurbanas","entry-image--landscape"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4568","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4568"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4568\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5189,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4568\/revisions\/5189"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4573"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4568"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4568"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4568"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}