{"id":4380,"date":"2020-05-06T10:00:51","date_gmt":"2020-05-06T13:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/becodorosario.wordpress.com\/?p=4035"},"modified":"2021-05-25T11:49:03","modified_gmt":"2021-05-25T14:49:03","slug":"um-drama-passional-na-colonia-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/um-drama-passional-na-colonia-africana\/","title":{"rendered":"Um &#8220;drama passional&#8221; na Col\u00f4nia Africana"},"content":{"rendered":"\r\n<p>N\u00e3o era raro encontrar not\u00edcias sobre assassinatos de mulheres por seus companheiros em fun\u00e7\u00e3o de motivos que, at\u00e9 bem pouco tempo, eram caracterizados como \u201cpassionais\u201d. Hoje, por\u00e9m, sabe-se que as raz\u00f5es por que se cometem <em>feminic\u00eddios<\/em>, ou seja, o assass\u00ednio de mulheres por serem mulheres, tem muito mais rela\u00e7\u00e3o com a sensa\u00e7\u00e3o de posse do homem sobre a mulher do que outra coisa.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Nesta reportagem do <em>Correio do Povo <\/em>de 6 de mar\u00e7o de 1929, noticia-se uma dessas manifesta\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra a mulher, e sua leitura d\u00e1 pistas sobre a forma que esse tipo de crime era visto naquele tempo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O homem que se sentia tra\u00eddo, mesmo sem ter alguma prova de que a esposa tinha um amante, era descrito em tom elogioso como antes de tudo um trabalhador e provedor denodado no casamento. A disciplina do trabalho era a virtude que dignificava os pobres, afastando-os do v\u00edcio da bebida e do crime, especialmente para algu\u00e9m que morava na mal afamada <em>Col\u00f4nia Africana<a href=\"#_ftn1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em>, \u00e1rea \u00e0 \u00e9poca perif\u00e9rica e que trazia no nome a estigmatiza\u00e7\u00e3o de seus moradores origin\u00e1rios, em grande parte ex-escravizados e libertos. Pode-se ver a rua Esperan\u00e7a, atual Miguel Tostes, hoje situada no bairro Rio Branco, nesta planta de Porto Alegre de 1888:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-4036\" src=\"https:\/\/becodorosario.files.wordpress.com\/2020\/04\/cp_ahmmv_06-03-1929_mais-um-drama-passional-abalou_mapa.jpg?w=1024\" alt=\"\" \/>\r\n<figcaption>Em destaque, a antiga rua Esperan\u00e7a, atual Miguel Tostes, onde se deu o crime. Planta de Porto Alegre de 1888 (detalhe). Mapoteca do IHGRGS.<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A mulher, por sua vez, era mostrada como uma elegante dona de casa, em fotografia destacada no jornal. Talvez um <em>cherchez la femme<a href=\"#_ftn2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/em>, como se a beleza e o comportamento dela despertasse o ci\u00fame que justificaria o crime.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Por fim, esse tipo de reportagem n\u00e3o raro era ilustrado com uma foto do local do crime, o que ajuda a entender um pouco como era a cidade \u00e0quela \u00e9poca. Nela, v\u00ea-se uma casa do tipo mais simples, ou seja, de porta e janela, estreita e t\u00e9rrea, indicando a condi\u00e7\u00e3o humilde do casal. Esse tipo de habita\u00e7\u00e3o pode ter sido muito comum em espa\u00e7os da cidade como a Col\u00f4nia Africana.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\r\n<ul class=\"blocks-gallery-grid\">\r\n<li class=\"blocks-gallery-item\">\r\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-4039\" src=\"https:\/\/becodorosario.files.wordpress.com\/2020\/04\/cp_ahmmv_06-03-1929_mais-um-drama-passional-abalou_elvira-pantalec3a3o.jpg?w=775\" alt=\"\" data-id=\"4039\" \/>\r\n<figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">&#8220;D. Elvira Freire Pantale\u00e3o, esposa do tresloucado autor da tragedia.&#8221;<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n<\/li>\r\n<li class=\"blocks-gallery-item\">\r\n<figure><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-4038\" src=\"https:\/\/becodorosario.files.wordpress.com\/2020\/04\/cp_ahmmv_06-03-1929_mais-um-drama-passional-abalou_casa.jpg?w=781\" alt=\"&quot;A casa 761, da rua Esperan\u00e7a, onde se desenrolou o drama passional.&quot;\" data-id=\"4038\" \/>\r\n<figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">&#8220;A casa 761, da rua Esperan\u00e7a, onde se desenrolou o drama passional.&#8221;<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\r\n<p><strong>\u201cMais um drama passional abalou, hontem, o espirito da popula\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn3\"><strong>[3]<\/strong><\/a><\/strong><\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Um marido, julgando-se trahido pela esposa, alvejou-a a tiros, detonando, depois, a arma em pleno peito<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Os antecedentes do crime e outros pormenores colhidos pela nossa reportagem<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>A policia n\u00e3o compareceu ao local, desconhecendo, por completo, essa occorrencia<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-4037\" src=\"https:\/\/becodorosario.files.wordpress.com\/2020\/04\/cp_ahmmv_06-03-1929_mais-um-drama-passional-abalou.jpg?w=768\" alt=\"\" \/>\r\n<figcaption>DCIM\\100GOPRO\\GOPR0955.JPG<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Recem-iniciado o mez de mar\u00e7o e j\u00e1 a chronica policial registra mais um drama passional, o segundo do corrente anno.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>N\u00e3o ha muito, no come\u00e7ou deste anno, em plena rua da Praia, desesperado e allucinado com o despreso de sua antiga amante, um homem alveja uma mulher e, quando a v\u00ea tombar, desamparada, entre curiosos, volta contra a propria cabe\u00e7a a arma ainda fumegante, detona=a e roda, sobre a cal\u00e7ada em estado gravissimo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ella, que era uma infeliz decaida, veiu a fallecer alguns dias depois, e elle, tendo conseguido salvar-se, est\u00e1 sendo devidamente processado.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Agora \u00e9 um esposo trahido que, depois de uma s\u00e9rie de lutas domesticas com a companheira, na imminencia de separar-se della, investe-a, desvairado, com um rev\u00f3lver com que a fere gravemente para, com a mesma arma tentar suicidar-se.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>No curto lapso de tempo de dois mezes apenas, como se v\u00ea por duas vezes a paix\u00e3o mancha de sangue a chronica da cidade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Narremos, por\u00e9m, a tragedia de hontem, que t\u00e3o fortemente repercutiu no espirito publico, desde os primordios da vida dos protagonistas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Quatorze annos de vida conjugal, sem dissabores<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O Sr. Eduardo Pinto Pantale\u00e3o, pelo anno de 1912, contrahiu nupcias nesta capital com d. Elvira Freire Pantale\u00e3o, por quem sempre foi um desvelado desde que a conhecera.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Jamais encontrou obstaculos para fazer-lhe as vontades e na luta pela vida mostrava-se um batalhador infatigavel para cumprir os seus deveres de esposo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>No commercio local, o sr. Eduardo Pantale\u00e3o empregou a sua actividade longe tempo em casas importantes e sempre se houve a contento de seus patr\u00f5es.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Na vida intima de casal jugava-se feliz e, afora essas rusgas communs entre marido e mulher, nada se apontava em seu desabono.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Por outro lado, d. Elvira Pantale\u00e3o satisfazia a espectativa do esposo, que a tratava carinhosamente, livre de quaesquer desconfian\u00e7as.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Os proprios parentes do sr. Eduardo Pantale\u00e3o prezavam d. Elvira e contra ella n\u00e3o tinham a m\u00ednima preven\u00e7\u00e3o. Assim nesse ambiente de cordialidade passou o casal Pantale\u00e3o doze longos annos, vivendo um para o outro, felizes, despreoccupados.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Nunca tiveram filhos, por\u00e9m tudo indicava que n\u00e3o eram infensos a esse prazer.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A prova \u00e9 que criavam uma menina, com toda a affei\u00e7\u00e3o e affecto de verdadeiros paes.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Longe dos olhos, longe do cora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Depois de quatorze annos de vida conjugal sem dissabores, como acima narramos, o sr. Eduardo Pinto Pantale\u00e3o, por interesses pecuniarios, em 1927, resolveu sair de Porto Alegre para aceitar logar na Granja da Brigadeira, em S. Sebasti\u00e3o do Cahy, onde iria ser mais bem remunerado.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Tomou esse destino, mas deliberou deixar a familia, aqui, residindo, \u00e0 rua Esperan\u00e7a n. 761, na modesta casa cujo clich\u00ea estampamos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Arrumados os seus negocios em Porto Alegre, rumou ao Cahy, ficando nessa localidade at\u00e9 os principios deste anno.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Apezar da distancia que o separava da familia, o sr. Eduardo Pantale\u00e3o tinha a esposa sempre em mente e, durante o mez, a visitava, pelo menos tres vezes.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>De par com essa assistencia periodica, provia-lhe as necessidades, primando em dar tudo, a tempo a e ahora, a d. Elvira.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Nada disso, entretanto, evitou que se confirmasse este velho refr\u00e3o: Longe da vista, longe do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>E foi o que, realmente succedeu \u00e1 esposa do sr. Pantale\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Aos poucos, segundo informa\u00e7\u00f5es colhidas pela nossa reportagem, d. Elvira come\u00e7ou a arrefecer seu ardor pelo marido e, quando este a procurava, n\u00e3o deixava de notar qualquer differen\u00e7a.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A principio, o sr. Eduardo Pantale\u00e3o, dissimula certas desatten\u00e7\u00f5es da esposa, mas, com o tempo, foi se sentindo ferido no seu amor proprio.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Vieram, ent\u00e3o, as desconfian\u00e7as.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Dahi, por deante, a estadia do sr. Pantale\u00e3o em Porto Alegre, era um martyrio para elle e para a esposa, que j\u00e1 estava dominada por outro affecto, que a tentava conduzir para o caminho da desonhra.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Voz do povo, voz de Deus<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Torturado pelas suas desconfian\u00e7as, o sr. Eduardo Pantale\u00e3o come\u00e7ou a sentir o moral abatido, quando percebeu que o povo j\u00e1 se occupava da vida de sua esposa, accusando-a de amores illicitos com o dono de um estabelecimento industrial, que fica quasi fronteiro \u00e1 sua casa.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Esa nova augmentou as desillus\u00f5es do marido que se julgava trahido, enfraquecendo-lhe ainda mais o animo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em parallelo com esse desespero, comelou a se gerar no espirito do sr. Pantale\u00e3o<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>A id\u00e9ia da vingan\u00e7a<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Trabalhado, ent\u00e3o, por esse desejo irresist\u00edvel, resolveu elle abandonar a Granja da Brigadeira, em S. Sebasti\u00e3o do Cahy, para se estabelecer novamente nesta capital e, assim, poder trazer sob vistas a sua esposa.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Pondo em execu\u00e7\u00e3o esse plano, o sr. Eduardo Pantale\u00e3o, h\u00e1 um mez, regressou definitivamente para Porto Alegre, onde se encontrava ainda deslocado, vivendo de algumas economias que possu\u00eda.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Voltando o casal a viver em contacto diario, as desconfian\u00e7as attingiram ao auge, ao ponto de d. Elvira Pantale\u00e3o tomar a iniciativa de constituir o sr. Fernando Kersting seu advogado para disquita-la [<em>sic<\/em>] do marido, por meio amigavel ou mesmo litigioso.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Sabendo disso, o sr. Eduardo fortaleceu as suas convic\u00e7\u00f5es e n\u00e3o tardou a por em pratica a id\u00e9a que o trabalhava.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>O acto de desespero<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Pela manh\u00e3 de hontem, o sr. Eduardo Pantale\u00e3o, ap\u00f3s o caf\u00e9, saiu de casa, rumando para logar ignorado.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Depois de umas duas horas de ausencia, voltou elle, \u00e0s 8,45, visivelmente perturbado, entrando logo a se altercar com d. Elvira, sua esposa, a quem accusava, de momentos antes, ter recebido o amante em sua propria casa.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Contestada essa grave affirmativa, o sr. Pantale\u00e3o redobrou a colera, saccando de um rev\u00f3lver para completar o seu acto de desespero.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Firmando, ent\u00e3o, o alvo, deu um tiro em sua esposa, e, em seguinda, voltou a arma contra si proprio, detonando-a em pleno peito.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Consumado esse duplo delicto, as victimas foram soccorridas por pessoas da vizinhan\u00e7a que se apressaram a comunicar a occorrencia \u00e1 Assistencia Publica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Momentos depois, o sr. Pantale\u00e3o e d. Elvira eram transportados em auto-ambulancia para o posto central da Assistencia e ali medicados convenientemente pelo dr. Rache Vitello e doutorando Francisco Marques Pereira, auxiliados pelos enfermeiros Salatino e Wolkmer.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Como o estado de ambos apresentasse certa gravidade, foram elles recolhidos \u00e1 Santa Casa de Misericordia.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Os ferimentos recebidos pelas victimas<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O sr. Eduardo Pinto Pantale\u00e3o apresentava um unico ferimento com orificio de entrada na regi\u00e3o mammaria esquerda e d. Elvira Freire os seguintes: um na regi\u00e3o infra clavicular esquerda, outro na fossa infra espinhosa e ainda outro no concavo axillar esquerdo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>A policia no desconhecimento dessa tragedia<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Logo que a nossa reportagem teve conhecimento dessa tragica occorrencia, poz-se em um campo para colher detalhes, indo ao local e em outros pontos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Concluido o nosso servi\u00e7o de informa\u00e7\u00f5es \u2018in loco\u2019, dirigimo-nos \u00e1 delegacia do 3\u00ba districto, para nos inteirarmos das providencias da policia, mas, ali, tudo se ignorava sobre esse facto delictuoso.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Eram, ent\u00e3o, 18 horas e a tragedia se passara pela manh\u00e3.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Extranhando, por isso, a peita [<em>sic<\/em>], incontinenti, por que o districto, insistimos em referir o crime, para ser se realmente estavamos contando uma novidade \u00e1 policia.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Confirmou-se a nossa suspeita [&#8230;], por que o posto da Col\u00f4nia Africana, subordinado a delegacia do 3\u00ba districto e a quem competia iniciar as diligencias, tambem tudo ignorava.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em vista dessa pasmaceira, desenvolvemos esta reportagem para informar ao publico e, principalmente \u00e1 policia, que sabe menos do facto do que o povo que chegou a commenta-lo durante o dia.\u201d<\/p>\r\n\r\n\r\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\r\n\r\n\r\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Territ\u00f3rio negro de Porto Alegre que se formou a partir da segunda metade do s\u00e9culo XIX abrigando negros ex-escravizados e libertos. Hoje, compreende os bairros Bom Fim, Rio Branco e parte do Mont\u2019Serrat.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Express\u00e3o famosa na virada do s\u00e9culo XIX para o XX, quer dizer \u201cprocure a mulher\u201d, dando a entender que uma mulher sempre estaria na origem de um ato criminoso.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> <em>Correio do Povo<\/em>, 06\/03\/1929. Hemeroteca do Arquivo Hist\u00f3rico Municipal Moys\u00e9s Vellinho. Autoria desconhecida. A grafia original foi mantida.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o era raro encontrar not\u00edcias sobre assassinatos de mulheres por seus companheiros em fun\u00e7\u00e3o de motivos que, at\u00e9 bem pouco tempo, eram caracterizados como \u201cpassionais\u201d. Hoje, por\u00e9m, sabe-se que as raz\u00f5es por que se cometem feminic\u00eddios, ou seja, o assass\u00ednio de mulheres por serem mulheres, tem muito mais rela\u00e7\u00e3o com a sensa\u00e7\u00e3o de posse do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4401,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[349],"tags":[214,35,215,48],"class_list":["post-4380","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidade","tag-coloniaafricana","tag-correiodopovo","tag-feminicidio","tag-imprensa","entry-image--portrait"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4380","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4380"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4380\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4395,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4380\/revisions\/4395"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4401"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4380"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4380"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4380"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}