{"id":2964,"date":"2019-01-10T14:49:05","date_gmt":"2019-01-10T16:49:05","guid":{"rendered":"http:\/\/becodorosario.com\/?p=2964"},"modified":"2022-06-08T22:38:45","modified_gmt":"2022-06-09T01:38:45","slug":"a-praga-do-batuque-em-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/a-praga-do-batuque-em-porto-alegre\/","title":{"rendered":"A &#8220;praga do batuque&#8221; em Porto Alegre"},"content":{"rendered":"\r\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o de 20\/1\/1929, encontra-se a seguinte manchete entre as reportagens ilustradas do Correio do Povo:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201c<strong>Em diversos pontos da cidade, a praga transplantada do \u2018batuque\u2019 desperta queixas e exige providencias [&#8230;]\u201d<a href=\"#_ftn1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Seguida de cabe\u00e7alhos que destacam partes da reportagem, a mesma \u00e9 ilustrada com fotografias grandes dos locais de \u201cbatuque\u201d, pr\u00e1tica que \u00e9 condenada no texto por ser barulhenta e impedir a vizinhan\u00e7a de descansar ap\u00f3s um dia de trabalho.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ainda que possa tentar aparentar um tom neutro, como no seguinte trecho,<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\r\n<p>\u00c9 um culto e ninguem tem nada com as cren\u00e7as do seu proximo, sejam ellas as melhores, ou as peores.<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n\r\n\r\n\r\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\r\n<p>A verdade, por\u00e9m, \u00e9 que nas noites de \u2018batuque\u2019 \u00e9 tal o ruido que se faz dentro a casa onde se pratica essa \u2018religi\u00e3o\u2019, que a vizinhan\u00e7a de muitos metros em redor, n\u00e3o p\u00f3de conciliar o somno.<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>a reportagem claramente usa linguagem condenat\u00f3ria para se referir \u00e0s \u201ccren\u00e7as do seu pr\u00f3ximo\u201d, especialmente quando fala delas como \u201cpraga transplantada\u201d para Porto Alegre por \u201cgente inculta e humilde\u201d, e que termina por \u201cinfestar\u201d alguns bairros da cidade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/cp_ahmmv_20-01-1929-a-praga-do-batuque_p8_-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2966\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/cp_ahmmv_20-01-1929-a-praga-do-batuque_p8_-17.jpg\" alt=\"\" width=\"3776\" height=\"2848\"><\/a>\r\n<figcaption>Reportagem ilustrada do <em>Correio&nbsp;do&nbsp;Povo<\/em> de 20\/1\/1929, p. 8. Fotografia da pesquisadora. Acervo do Arquivo Hist\u00f3rico Municipal de Porto Alegre Moys\u00e9s Vellinho, 2018.<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Essa linguagem claramente negativa usada para descrever a presen\u00e7a dos locais de culto afro-brasileiros em Porto Alegre sinaliza um fen\u00f4meno muito mais amplo de uma desvaloriza\u00e7\u00e3o da cultura negra em geral no Brasil, que provavelmente pouco mudou desde aquele ano long\u00ednquo. As festas e pr\u00e1ticas das comunidades negras n\u00e3o eram apenas vistas com desconfian\u00e7a como tamb\u00e9m eram seguidamente alvo de repress\u00e3o policial, destrui\u00e7\u00e3o de terreiros e den\u00fancia por parte de vizinhos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Na d\u00e9cada 1920, ainda vigia a cren\u00e7a no racismo cient\u00edfico<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>, amplamente difundida n\u00e3o apenas entre as autoridades que detinham a administra\u00e7\u00e3o da cidade mas tamb\u00e9m entre a popula\u00e7\u00e3o comum<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>, que assim acreditavam que as popula\u00e7\u00f5es de origem africana eram culturalmente inferiores, tendiam \u00e0 pr\u00e1tica de rituais \u2018primitivos\u2019 e ao crime, e portanto seriam um obst\u00e1culo \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o no Brasil. Com esse discurso cient\u00edfico vigente, o que Foucault<a href=\"#_ftn4\">[4]<\/a> chama de <em>episteme<\/em> de uma \u00e9poca, a discrimina\u00e7\u00e3o era feita abertamente.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Finalmente, a reportagem traz dois aspectos interessantes: a localiza\u00e7\u00e3o de um dos batuques num \u201cbecco\u201d do bairro Menino Deus, e menciona o \u201cmuito conhecido\u201d \u201cbatuque do Pr\u00edncipe\u201d na rua Lopo Gon\u00e7alves, na Cidade Baixa<a href=\"#_ftn5\">[5]<\/a>. Seria esse o famoso <a href=\"https:\/\/becodorosario.com\/2018\/08\/16\/um-principe-africano-em-porto-alegre\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Pr\u00edncipe Cust\u00f3dio (abre em uma nova aba)\">Pr\u00edncipe Cust\u00f3dio<\/a>? Caso seja o mesmo ilustre personagem da hist\u00f3ria de Porto Alegre, tem-se mais uma pe\u00e7a do quebra-cabe\u00e7as: a fotografia, ainda que j\u00e1 pouco n\u00edtida, da entrada de sua resid\u00eancia.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-2965\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/cp_ahmmv_20-01-1929-a-praga-do-batuque_p8_detalhe-batuque-do-pr\u00edncipe-17.jpg\" alt=\"\">\r\n<figcaption>&#8220;O famoso &#8216;batuque&#8217; do Pr\u00edncipe&#8221;. Detalhe da reportagem do <em>Correio&nbsp;do&nbsp;Povo<\/em> de 20\/1\/1929, p. 8. <br>Fot\u00f3grafo desconhecido.<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\">\r\n\r\n\r\n<p>\u201c<strong>Em diversos pontos da cidade, a praga transplantada do \u2018batuque\u2019 desperta queixas e exige providencias<a href=\"#_ftn6\"><strong>[6]<\/strong><\/a><\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>O-CO-CO-A! BO-A-E-A-BAU! OGUN! OGUN<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Al\u00e9m desses gritos extranhos e cabal\u00edsticos, os \u2018batuques\u2019 de Porto Alegre impedem o somno da popula\u00e7\u00e3o com barulhentos tambores<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>As serenatas, que a policia prohibiu ha tanto tempo, eram bem menos incommodas que essa modalidade de feiti\u00e7aria.<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Onde se localizam alguns dos mais irritantes \u2018batuques\u2019, contra cuja existencia se queixam amargamente os visinhos<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O \u2018batuque\u2019&#8230;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A estranha fascina\u00e7\u00e3o que essa palavra exerce em certos esp\u00edritos menos cultos! Dir-se-ia que ella encerra o segredo do futuro, o mysterio dos destinos humanos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Quantas pessoas buscam no \u2018batuque\u2019 a solu\u00e7\u00e3o dos problemas da sua vida attribulada. Amores mal-correspondidos, m\u00e1os negocios, enfermidades, desgostos \u00edntimos, tudo o \u2018batuque\u2019 se prop\u00f5e corrigir, tal aquellas famosas \u2018pedras de cevar\u2019 que servem apenas para \u2018cevar\u2019 os bolsos dos espertalh\u00f5es que as vendem.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>N\u00e3o h\u00e1 muito, dizia-nos um amigo espirituoso:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&#8211; O \u2018batuque\u2019 s\u00f3 n\u00e3o cura unha encravada e cabellos brancos&#8230;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&#8211; E isso mesmo n\u00e3o sei si n\u00e3o cura&#8230; contrapoz outro, menos sceptico.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Mas&#8230; os incredulos&#8230;<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>ou melhor, os que n\u00e3o teem motivos para recorrer a essa modalidade de feiti\u00e7aria, ha muito veem reclamando contra a invas\u00e3o crescente dos \u2018batuques\u2019 em determinadas zonas da cidade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>E, realmente, teem raz\u00e3o os incredulos. Porque nada mais desagradavel do que ter-se o somno interrompido depois de um dia de labor n\u00e3o raro extenuante. E \u00e9 o que se verifica nas zonas infestadas pelo batuque, os quaes s\u00e3o habitados, geralmente, por pessoas que trabalham e precisam, portanto, \u00e1 noite, de tranquilidade e silencio.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ora, o \u2018batuque\u2019 n\u00e3o representa, apenas, uma pratica retrograda.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00c9 um culto e ninguem tem nada com as cren\u00e7as do seu proximo, sejam ellas as melhores, ou as peores.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A verdade, por\u00e9m, \u00e9 que nas noites de \u2018batuque\u2019 \u00e9 tal o ruido que se faz dentro a casa onde se pratica essa \u2018religi\u00e3o\u2019, que a vizinhan\u00e7a de muitos metros em redor, n\u00e3o p\u00f3de conciliar o somno.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Afinal, que \u00e9 o \u2018batuque\u2019?<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00c9 a pergunta que occorre, naturalmente, a quantos ouvem falar dessa estranha pratica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Pois bem \u2013 o \u2018batuque\u2019 \u00e9 nada mais, nada menos que isto:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em determinados dias da semana \u2013 segundas, sextas e domingos \u2013 reunem-se os credulos em casa de um \u2018batuqueiro\u2019 para a cerimonia singularissima.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Geralmente gente inculta e humilde.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00c1s seis horas tem inicio a \u2018festinha\u2019, que elles consideram culto.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u2018Ogun\u2019, o santo predilecto \u00e9, ent\u00e3o, durante toda a noite, invocado, ao mesmo passo que um homem \u2013 um preto \u2013 com um tambor entrre os joelhos, vae rythmando, com os dedos sobre a pelle do tambor, a dansa que em redor varias pessoas praticam. E gritos, e exhorta\u00e7\u00f5es em lingua africana.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Mais tarde, sempre com o caracter de \u2018sacrif\u00edcio\u2019 \u2013 vem a ceia que em algumas casas \u00e9 opipara [<em>sic<\/em>] e que \u00e9 ingerida, por alguns, com as m\u00e3os, isto \u00e9, sem talheres.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>At\u00e9 o romper do dia \u2013 o \u2018programma\u2019 \u00e9 esse.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>E durma-se&#8230;<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&#8230;com um barulho destes! \u2013 dizia-nos, h\u00e1 dias, um morador de um bairro infestado pelos \u2018batuques\u2019, E accrescentava:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&#8211; Ha muito a policia, para tranquilidade do somno da popula\u00e7\u00e3o prohibia a serenata. Foi uma medida sympathica. \u00c9 preciso, por\u00e9m, n\u00e3o esquecer, que a serenata interrompia apenas e por momentos o somno de uma quadra. E o \u2018batuque\u2019 n\u00e3o deixa os habitantes de varias quadras conciliarem somno durante toda a noite!<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Como veem os nossos leitores, o racioc\u00ednio \u00e9 l\u00f3gico.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Innumeras queixas<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>chegaram, nesse sentido, \u00e1 nossa redac\u00e7\u00e3o. Dos mais diversos pontos da cidade vinham pessoas solicitar a nossa interven\u00e7\u00e3o, afim de ver si era possivel a extinc\u00e7\u00e3o desses incommodos \u2018batuques\u2019, que fazem mais mal \u00e1 popula\u00e7\u00e3o com o rumor do seu estranho culto, do que com as \u2018moambas\u2019 e os \u2018despachos\u2019 que praticam.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Attendendo a essas solicita\u00e7\u00f5es, a nossa reportagem se poz em campo, conseguindo obter, num rapido gyro de automovel, as zonas mais infestadas por elles.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>O Parthenon<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>est\u00e1 minado de casas de \u2018batuqueiros\u2019 e \u2018batuqueiras\u2019, sendo que s\u00f3 na rua B\u00f4a Vista, naquelle arrabalde, h\u00e1 quatro funccionando regularmente.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-2967\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/cp_ahmmv_20-01-1929-a-praga-do-batuque_p8_detalhe-bella-vista-17.jpg\" alt=\"\">\r\n<figcaption>&#8220;O batuque da rua Bella Vista&#8221;. T\u00edpico chal\u00e9 de madeira que tamb\u00e9m se encontrava na Col\u00f4nia Africana e Areal da Baroneza.<br>Detalhe da reportagem do <em>Correio&nbsp;do&nbsp;Povo<\/em> de 20\/1\/1929, p. 8. <br>Fot\u00f3grafo desconhecido.<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>No Menino Deus<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>tamb\u00e9m \u00e9 consider\u00e1vel o numero de \u2018batuques\u2019. Al\u00e9m do da famosa \u2018M\u00e3e Santa\u2019, no becco do Silveiro e de que nos occupamos quando das deligencias em torno do repugnante delicto do morro do Menino Deus, existo um outro, tamb\u00e9m naquelle becco, funcionando com regularidade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00c1 hora em que hontem a nossa reportagem delle se approximou, de dentro do \u2018chalet\u2019 de madeira em que elle est\u00e1 installado, partia um ruido sendo muito caracteristico.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Acercamo-nos da janella e vimos, l\u00e1 dentro, na sala, um preto a ensaiar para o \u2018batuque\u2019 de hoje, provavelmente.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>A rua Lopo Gon\u00e7alves<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>possue dois. Um, do \u2018Principe\u2019, muito conhecido e outro pouco al\u00e9m.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Quando o nosso photographo batia uma chapa deste segundo, o \u2018batuqueiro\u2019 veio para a rua [encolerizado?].<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Queria impedir a pho[togra]phia, em altos brados.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Mas n\u00e3o logrou o [&#8230;] por que como [veem os] leitores, o [batuque em quest\u00e3o \u00e9 um dos [nummeroros cli]ch\u00e9s de hoje.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-2968\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/cp_ahmmv_20-01-1929-a-praga-do-batuque_p8_detalhe-lopo-gon\u00e7alves-17.jpg\" alt=\"\">\r\n<figcaption><br>&#8220;Um dos batuques da rua Lopo Gon\u00e7alves. Casa de porta e janella&#8221;. Detalhe da reportagem do <em>Correio&nbsp;do&nbsp;Povo<\/em> de 20\/1\/1929, p. 8. Fot\u00f3grafo desconhecido.<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>A Colonia Africana<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>est\u00e1 toda infestada pelos [\u2018ba]tuques\u2019.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Mas, longa ser[ia] a [&#8230;]\u00e7\u00e3o dos \u2018batuques\u2019 [exis]tentes em Porto Alegre.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em nossa proxima re[porta]gem, na qual daremos [&#8230;] curiosos informes sobre [a] incommoda forma de [..]ria, apontaremos os [&#8230;]iritam, justamente, os [&#8230;] da popula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong>:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>AZEVEDO, C\u00e9lia Maria Marinho de. <em>Onda negra, medo branco; o negro no imagin\u00e1rio das elites \u2013 s\u00e9culo XIX<\/em>. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>HALL, Stuart (Org.). <em>Representation: cultural representations and signifying practices.<\/em> London: Sage Publications Inc., 1997.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>FANON, Frantz. <em>Pele negra, m\u00e1scaras brancas<\/em>. Rio de Janeiro: Fator, 1983.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>NOGUEIRA, Oracy. <em>Preconceito racial de marca e preconceito racial de origem. Sugest\u00e3o de um quadro de refer\u00eancia para a interpreta\u00e7\u00e3o do material sobre rela\u00e7\u00f5es raciais no Brasil.<\/em> Tempo Social, revista de Sociologia da USP. Vol. 19, nr. 1, pp. 287-308. Novembro de 2006.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>SEYFERTH, Giralda. <em>Construindo a na\u00e7\u00e3o: Hierarquias raciais e o papel do racismo na pol\u00edtica de Imigra\u00e7\u00e3o e Coloniza\u00e7\u00e3o<\/em>. In: <em>Ra\u00e7a, Ci\u00eancia e Sociedade.<\/em> Rio, Editora Fiocruz, CCBB, 1996. pp. 41-58.<\/p>\r\n\r\n\r\n<hr class=\"wp-block-separator\">\r\n\r\n\r\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> <em>Correio do Povo<\/em>, 20\/1\/1929, p.8 . Hemeroteca do Arquivo Hist\u00f3rico Muncipal Moys\u00e9s Vellinho, Porto Alegre.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Ver, entre outros, Azevedo, 1987; Fanon, 1983; Nogueira, 2006; Seyferth, 1996.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> Sobre a discrimina\u00e7\u00e3o racial entre as classes pobres de Porto Alegre no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, ver a tese de Marcus Vin\u00edcius Rosa, <em>Al\u00e9m da invisibilidade: hist\u00f3ria social do racismo em Porto ALegre durante o p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o (1884-1918)<\/em>. Universidade Estadual de Campinas, 2014.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> Apud Hall, 1997.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> A Cidade Baixa tamb\u00e9m era conhecida como territ\u00f3rio negro de Porto Alegre desde o s\u00e9culo XIX, tamb\u00e9m referida em parte como Areal da Baroneza.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> A grafia original foi mantida.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na edi\u00e7\u00e3o de 20\/1\/1929, encontra-se a seguinte manchete entre as reportagens ilustradas do Correio do Povo: \u201cEm diversos pontos da cidade, a praga transplantada do \u2018batuque\u2019 desperta queixas e exige providencias [&#8230;]\u201d[1] Seguida de cabe\u00e7alhos que destacam partes da reportagem, a mesma \u00e9 ilustrada com fotografias grandes dos locais de \u201cbatuque\u201d, pr\u00e1tica que \u00e9 condenada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4232,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[349],"tags":[42,46,86,124],"class_list":["post-2964","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidade","tag-historia","tag-historiadeportoalegre","tag-batuque","tag-historianegra","entry-image--landscape"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2964","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2964"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2964\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5576,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2964\/revisions\/5576"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4232"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}