{"id":2384,"date":"2017-09-21T11:38:14","date_gmt":"2017-09-21T14:38:14","guid":{"rendered":"http:\/\/becodorosario.com\/?p=2384"},"modified":"2021-04-30T12:10:31","modified_gmt":"2021-04-30T15:10:31","slug":"o-que-e-uma-avenida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/o-que-e-uma-avenida\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 uma avenida?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\">Em seu significado mais corriqueiro nos dias de hoje, a palavra <em>avenida<\/em> refere-se a uma via larga na cidade, remetendo \u00e0 id\u00e9ia de modernidade e velocidade de circula\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, antigamente, essa mesma palavra significava algo totalmente diferente: segundo o dicion\u00e1rio Caldas Aulete, al\u00e9m de significar uma ampla e moderna rua, <em>avenida<\/em> tamb\u00e9m significa \u201cconjunto de pequenas moradias, ger. id\u00eanticas, dispostas de modo que forme uma rua ou pra\u00e7a interior; VILA\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim, a <em>avenida<\/em> \u00e9 caracterizada por formar uma pequena via entre um ou dois corredores de casinhas de aluguel, simples, geralmente de madeira, destinadas \u00e0s camadas mais pobres da popula\u00e7\u00e3o. Como em Porto Alegre os lotes urbanos s\u00e3o caracter\u00edsticos da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, ou seja, com pequena testada e grande profundidade, construir casinhas de aluguel ao longo do terreno era uma op\u00e7\u00e3o interessante de ganhar dinheiro em cima da localiza\u00e7\u00e3o e proximidade do atual centro hist\u00f3rico, onde se situavam os empregos nos com\u00e9rcios, oficinas e nas primeiras ind\u00fastrias. Como exemplo, Irene Santos (2010) narra da seguinte forma a constru\u00e7\u00e3o de uma <em>avenida<\/em> na rua M\u00facio Teixeira, antigo Areal da Baronesa:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\"><strong>Imigrante italiana, oriunda de Fanano, [&#8230;] dona Elvira era uma ex\u00edmia comerciante. Ao perceber que poderia aumentar suas rendas a partir do terreno onde morava, decidiu construir naquela \u00e1rea pequenas moradias e alugar. Investiu no comprimento e largura da imensa [\u00e1rea onde j\u00e1 havia constru\u00eddo sua cada de madeira em estilo italiano. Sua clientela era composta de oper\u00e1rios, cozinheiras, lavadeiras e pessoas que trabalhavam no com\u00e9rcio.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A mesma autora ainda traz as recorda\u00e7\u00f5es da lituana Chvola Mina, chegada em Porto Alegre com sua fam\u00edlia em 1927, onde alugaram uma casinha, tamb\u00e9m chamada de <em>pe\u00e7a<\/em> dada a sua diminuta \u00e1rea, numa avenida do bairro Bom Fim:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\"><strong>A casa alugada tinha um quarto na parte da frente, uma sala bem pequena, e outro quarto que eu e minha irm\u00e3 divid\u00edamos. A cozinha era min\u00fascula e no p\u00e1tio, igualmente pequeno, um p\u00e9 de mamoeiro.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">De fato, na pesquisa documental sobre a hist\u00f3ria de Porto Alegre, a palavra <em>avenida<\/em> aparece muitas vezes associada \u00e0s moradias pobres e insalubres, associadas aos crimes narrados nas not\u00edcias policiais. Tamb\u00e9m, muitas vezes, aparece mesmo como sin\u00f4nimo de \u201cbeco\u201d, \u201cviela\u201d ou \u201ccorti\u00e7o\u201d, e at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XX estavam presentes mesmo na Rua dos Andradas, tradicionalmente a mais rica do centro hist\u00f3rico da cidade. Nesta passagem publicada no <em>Correio do Povo<\/em>, v\u00ea-se a sinon\u00edmia entre \u201ccorti\u00e7o\u201d e \u201cbeco\u201d:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\"><strong>No <em>corti\u00e7o<\/em> [grifo da pesquisadora], existente \u00e1 rua dos Andradas n. 113-A, residencia de meia duzia de raparigas, registrou-se, hontem, \u00e1s nove horas, um sarilho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\"><strong>[&#8230;]<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Segundo as informa\u00e7\u00f5es obtidas pela policia, o agente poz-se a desafiar as pessoas que se achavam no interior do<em> becco<\/em> [grifo da pesquisadora].<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">J\u00e1 neste trecho de carta ao jornal <em>Correio do Povo, corti\u00e7os <\/em>e <em>avenidas<\/em> aparecem como sin\u00f4nimos, e descreve-se as \u00faltimas da seguinte forma:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\"><strong>[&#8230;] qualquer &#8220;corti\u00e7o&#8221;, de viella infecta e que, por ironia, se lhe d\u00e1 o pomposo nome de &#8220;avenida&#8221;, quando, no entanto, \u00e9 certo que n\u00e3o passa de verdeiro f\u00f3co, onde os maiores estragos produzem a bubonica, a variola, o typho e a tuberculose, est\u00e1 pela loca\u00e7\u00e3o, nunca inferior, a 30$ ou 40$000 mensaes, de sorte que o pobre operario, ou jornaleiro, que tem de pagar pelo kilo do feij\u00e3o 1$500 e, \u00e1s vezes, at\u00e9, pre\u00e7o mais alto, se v\u00ea em serias aperturas, no fim de cada mez.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">V\u00ea-se a refer\u00eancia ao custo da moradia comparado com o custo dos alimentos para a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora, desde aquela \u00e9poca mal alojada na cidade. Da mesma forma, na revista <em>A Mascara<\/em>, lamenta-se o pre\u00e7o de morar em <em>viellas e beccos <\/em>ainda por cima em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de higiene:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em viellas e beccos, postos numa promiscuidade nefasta, vivem verdadeiras popula\u00e7\u00f5es de entes miseraveis. Um passeio pelo Areal da Baroneza (lembrar o nome dessa arrabalde \u00e9 trazer \u00e0 lembran\u00e7a a chronica delictuosa da cidade) suggere um &lt;&lt;cour de miracles&gt;&gt; espantosa e quasi incrivel!<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como se pode ver nas duas fotografias que acompanham a reportagem, aqui tamb\u00e9m trata-se de constru\u00e7\u00f5es de madeira em torno de uma estreita rua, na qual o ac\u00famulo de \u00e1gua em po\u00e7as tamb\u00e9m \u00e9 not\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-2384 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/o-que-e-uma-avenida\/a_mascara_21_ago_1920_as-habitacoes-em-porto-alegre-detalhe_1_w\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/a_mc3a1scara_21_ago_1920_as-habitac3a7c3b5es-em-porto-alegre-detalhe_1_w-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"A M\u00e1scara: 21\/ago\/1920 - As habita\u00e7\u00f5es em Porto Alegre - detalhe 1: \u201c35$000 ou 40$000 \u00e9 o pre\u00e7o que pagam os habitantes desta avenida. Os nossos leitores p\u00f3dem, pelo &lt;&gt; acima, fazer bem a ideia do que ser\u00e1 a vida neste corti\u00e7o...\u201d\" aria-describedby=\"gallery-1-2398\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2398'>\n\t\t\t\tA M\u00e1scara: 21\/ago\/1920 &#8211; As habita\u00e7\u00f5es em Porto Alegre &#8211; detalhe 1:  \u201c35$000 ou 40$000 \u00e9 o pre\u00e7o que pagam os habitantes desta avenida. Os nossos leitores p\u00f3dem, pelo &lt;&gt; acima, fazer bem a ideia do que ser\u00e1 a vida neste corti\u00e7o&#8230;\u201d\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/o-que-e-uma-avenida\/a_mascara_21_ago_1920_as-habitacoes-em-porto-alegre-detalhe_2_w\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/a_mc3a1scara_21_ago_1920_as-habitac3a7c3b5es-em-porto-alegre-detalhe_2_w-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"A M\u00e1scara 21 ago 1920 - As habita\u00e7\u00f5es em Porto Alegre - detalhe 2: \u201cNeste corti\u00e7o, um compartimento de madeira \u00e9 alugado por 30$ ou 35$000 Sem hygiene, sem ar, sem luz, essa pobre gente vive miseravelmente.\u201d\" aria-describedby=\"gallery-1-2399\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2399'>\n\t\t\t\tA M\u00e1scara 21 ago 1920 &#8211; As habita\u00e7\u00f5es em Porto Alegre &#8211; detalhe 2:  \u201cNeste corti\u00e7o, um compartimento de madeira \u00e9 alugado por 30$ ou 35$000 Sem hygiene, sem ar, sem luz, essa pobre gente vive miseravelmente.\u201d\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/o-que-e-uma-avenida\/planta1893_beco-do-imperio-espirito-santo_cortico_w\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/planta1893_beco-do-impc3a9rio-espc3adrito-santo_cortic3a7o_w-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-2400\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/planta1893_beco-do-impc3a9rio-espc3adrito-santo_cortic3a7o_w-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/planta1893_beco-do-impc3a9rio-espc3adrito-santo_cortic3a7o_w-10x10.jpg 10w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2400'>\n\t\t\t\tPlanta de 1893 Beco do Imp\u00e9rio Esp\u00edrito Santo corti\u00e7o:  Uma fileira de espa\u00e7os numerados na esquina da Rua Esp\u00edrito Santo com a Rua Dem\u00e9trio:  uma avenida na Planta Cadastral de 1893?\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/o-que-e-uma-avenida\/virgilio-calegari_-069\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/foto-239f-virgc3adlio-calegari-prov-gen-canabarro_-prov-cortic3a7o_w-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-2407\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2407'>\n\t\t\t\tfoto 239f &#8211; Virg\u00edlio Calegari &#8211; prov Gen Canabarro_ prov corti\u00e7o Foto de Virg\u00edlio Calegari (fim do s\u00e9c. XIX e in\u00edcio do XX) na altura da rua General Canabarro. No canto inferior direito, em azul, o que parece ser uma fileira de casinhas. Uma avenida? Um corti\u00e7o?\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/o-que-e-uma-avenida\/outro_angulo_da_mesma_avenida_acervo_dorvalina_fialho_w\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/outro_c3a2ngulo_da_mesma_avenida_acervo_dorvalina_fialho_w-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"Outro \u00e2ngulo da mesma Avenida Acervo Dorvalina Fialho. In: SANTOS, Irene. &quot;Colonos e Quilombolas&quot;, 2010, p. 45.\" aria-describedby=\"gallery-1-2408\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2408'>\n\t\t\t\tOutro \u00e2ngulo da mesma Avenida Acervo Dorvalina Fialho. In: SANTOS, Irene. &#8220;Colonos e Quilombolas&#8221;, 2010, p. 45.\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/o-que-e-uma-avenida\/pecas_numa_avenida_do_areal_da_baronesa_acervo_dorvalina_fialho_w\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/pec3a7as_numa_avenida_do_areal_da_baronesa_acervo_dorvalina_fialho_w-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"Pe\u00e7as numa avenida do Areal da Baronesa. Acervo Dorvalina Fialho. In: SANTOS, Irene. &quot;Colonos e Quilombolas&quot;, 2010, p. 45.\" aria-describedby=\"gallery-1-2409\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2409'>\n\t\t\t\tPe\u00e7as numa avenida do Areal da Baronesa. Acervo Dorvalina Fialho. In: SANTOS, Irene. &#8220;Colonos e Quilombolas&#8221;, 2010, p. 45.\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/o-que-e-uma-avenida\/chalhoub_cidade-febril-cortico-e-aluizio-de-azevedo_w_a\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/chalhoub_cidade-febril-cortic3a7o-e-aluizio-de-azevedo_w_a-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-2410\" srcset=\"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/chalhoub_cidade-febril-cortic3a7o-e-aluizio-de-azevedo_w_a-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/chalhoub_cidade-febril-cortic3a7o-e-aluizio-de-azevedo_w_a-10x10.jpg 10w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 91vw, (max-width: 900px) 600px, (max-width: 1060px) 50vw, (max-width: 1200px) 520px, (max-width: 1400px) 43vw, 600px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2410'>\n\t\t\t\tCHALHOUB. Cidade Febril &#8211; Corti\u00e7o e Aluizio de Azevedo. Exemplo de corti\u00e7o em formato semelhante ao de avenida no Rio de Janeiro, e que inspirou o romance \u201cO Corti\u00e7o\u201d de Aluizio de Azevedo. Fonte: CHALHOUB, Sidney. Cidade Febril. \n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n<p style=\"text-align:justify;\">Como medida para coibir a constru\u00e7\u00e3o desse tipo de moradia, e tamb\u00e9m como provavelmente parte da pol\u00edtica higienista em Porto Alegre no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o prefeito Ot\u00e1vio Rocha decretou em 16 de junho de 1926<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> a proibi\u00e7\u00e3o das constru\u00e7\u00f5es de madeira em \u00e1reas da encosta sul do atual centro hist\u00f3rico da cidade. Por outro lado, determinou que as remanescentes fossem substitu\u00eddas por constru\u00e7\u00f5es de alvenaria num prazo de seis meses afim de minimizar os riscos de inc\u00eandios.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com isso, pode-se dizer que as <em>avenidas<\/em> eram, por um lado, a solu\u00e7\u00e3o de moradia no centro da cidade para a classe trabalhadora num contexto de reformas urbanas e aumento de impostos prediais, o que deixava escasso o estoque de habita\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis. Al\u00e9m disso, o custo e a precariedade dos servi\u00e7os de transporte p\u00fablico tornava habitar os arrabaldes muito caro para essas camadas mais modestas. Por outro lado, mostra tamb\u00e9m a especula\u00e7\u00e3o em cima do solo urbano por parte de pessoas mais abastadas, gerando uma renda cont\u00ednua em cima do valor de seus terrenos no atual centro. Naturalmente, os m\u00e9dicos sanitaristas e a crescente fiscaliza\u00e7\u00e3o da prefeitura trabalhavam contra a constru\u00e7\u00e3o dessas fileiras de casinhas de porta e janela ou <em>pe\u00e7as<\/em>, ao mesmo tempo promovendo a constru\u00e7\u00e3o de moradias mais arejadas e iluminadas, por\u00e9m tamb\u00e9m empurrando as popula\u00e7\u00f5es mais pobres para longe de seus empregos e dos servi\u00e7os urbanos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Conforme <a href=\"http:\/\/www.aulete.com.br\/avenida\">http:\/\/www.aulete.com.br\/avenida<\/a>, acessado em 20\/9\/2017.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> SANTOS, Irene (coord. ed.). <em>Colonos e quilombolas: mem\u00f3ria fotogr\u00e1fica das col\u00f4nias africanas de Porto Alegre.<\/em> Porto Alegre: [s.n.], 2010. P. 43.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Op. cit., p. 43.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Correio do Povo, jan-ago 1927. Acervo da hemeroteca do Museu de Comunica\u00e7\u00e3o de Porto Alegre Social Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Correio do Povo, 17\/07\/1925. Acervo da hemeroteca do Museu de Comunica\u00e7\u00e3o de Porto Alegre Social Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Revista &#8220;A Mascara&#8221;, 21\/08\/1920. Acervo da hemeroteca do Museu de Comunica\u00e7\u00e3o de Porto Alegre Social Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Correio do Povo, 17\/06\/1926. Acervo da hemeroteca do Museu de Comunica\u00e7\u00e3o de Porto Alegre Social Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em seu significado mais corriqueiro nos dias de hoje, a palavra avenida refere-se a uma via larga na cidade, remetendo \u00e0 id\u00e9ia de modernidade e velocidade de circula\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, antigamente, essa mesma palavra significava algo totalmente diferente: segundo o dicion\u00e1rio Caldas Aulete, al\u00e9m de significar uma ampla e moderna rua, avenida tamb\u00e9m significa \u201cconjunto de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2398,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[349],"tags":[57,159],"class_list":["post-2384","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidade","tag-pesquisa","tag-porto-alegre","entry-image--landscape"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2384","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2384"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2384\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4976,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2384\/revisions\/4976"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2398"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2384"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2384"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.analuizakoehler.com\/becodorosario\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}